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Você toma alguma coisa para ser Feliz!?

Toma alguma coisa para ser feliz?

 

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Para pensar…

"Eu vo-lo digo: é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante."  Assim falou Zaratustra - Nietzsche

“Eu vo-lo digo: é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.”
Assim falou Zaratustra – Nietzsche

 
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Publicado por em 21 de Janeiro de 2014 em Reflexão geral

 

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O não problema de ser diferente

Ser diferente

Ser diferente, estranho, esquisito, fora do normal…

Palavras habitualmente carregadas de preconceito e de receio; (muito) erroneamente associadas a doenças mentais.

Ser-se diferente é ser-se sincero consigo mesmo.

Um abraço e sorriam!

DG 2014

 

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Blog… não fiques assim…

blog sozinho

Caro Blog (e excelentíssimos leitores do mesmo),

Bem sei… há muito tempo que não escrevo nada. Mas não há motivos para preocupação, o blog não está esquecido e esta paixão pela escrita continua bem viva. No entanto, tal como diz o Miguel Esteves Cardoso “Quanto mais precisas para viver, mais tens de trabalhar e menos tempo tens para ti. O maior dos luxos é o tempo. O tempo é o meu maior património“, parece ser também o meu caso…

Mas esta ausência tem sido por uma boa causa. Até ao final desta semana vou (finalmente) entregar a minha tese de Doutoramento, na Faculdade de Medicina de Lisboa. E entre consultas, escrita científica, formatação de texto, tabelas e festas de Natal (das crianças e das crianças grandes) tenho-me esquecido de ti!

Por outro lado a tua página no facebook (www.facebook.com/ReflexoesDeUmPsiquiatra) tem tido bastante movimento e têm acontecido algumas discussões bastante interessantes.

Dito isto, não fiques amuado… Está prometido que a partir de agora não te vou deixar tanto tempo abandonado.

Até breve.

DG 

 
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Publicado por em 17 de Dezembro de 2013 em Reflexão geral

 

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Para quê complicar?

happiness-flowchart

 
 

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Leituras de verão: o hedonismo e o senso comum.

Oscar Wilde

Nada como a praia para por em dia a leitura…

Estive a ler “O Retrato de Dorian Gray” por Oscar Wilde, esta frase, que o hedonista Sir Henry debita numa tertúlia com amigos, fez-me reflectir:

Atualmente, grande parte das pessoas morre de uma espécie de senso comum arrepiante, e, quando é demasiado tarde, chega à conclusão de que as únicas coisas de que nunca nos arrependemos são os nossos erros.

Poderemos lamentar mais os erros não fizemos do que aqueles que fizemos?

O que acham?

Um abraço

DG 2013

 

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As Férias fazem bem à Saúde?

Stilllife on the beach with sunglasses cocktail in coconut and flip flopFérias… Quer seja na praia, no campo ou na montanha… de “papo para o ar” ou com actividades planeadas para o dia todo, não creio que exista palavra que associemos mais a estarmos bem, relaxados ou mesmo, felizes.

Para mim não há nada como umas boas e prolongadas férias de verão (no mínimo 2 ou 3 semanas) em que podemos aproveitar para “recarregar baterias”, mas também fazer todas aquelas coisas que são postas para segundo plano pela falta de tempo do quotidiano… Ler, namorar, jogar à bola com as crianças, etc., etc…

E para além do mais… as férias fazem bem à Saúde!

Para os mais cépticos, aqui fica um estudo, feito numa amostra de mais de 12 mil homens de meia idade em alto risco para doença coronária, que pergunta exactamente o título deste post: “as férias fazem bem à saúde?“. Os investigadores, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Pittsburgh, verificaram que a frequência de férias anuais está associada com a redução da mortalidade em geral e especificamente da mortalidade atribuída a doença coronária! Aqui fica o link para o artigo.

Por isso…
Façam férias! E aproveitem para ficar mais saudáveis.

Com este post o blog entra em modo Férias… Até Setembro!

Abraços

DG 2013

 

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Pais e adolescentes

father-and-son-beach

Curiosamente recebi nestas semanas dois pedidos de jornalistas diferentes para conversar um pouco sobre a relação pais e filhos na adolescência

Pelas perguntas que foram levantadas percebi que existem muitas dúvidas, muitas questões, muitos medos.

Eu também sou pai (tenho dois filhos pequenotes)… apesar de, por viés profissional, ter algumas informações e dicas adicionais também eu tenho dúvidas e medos.

No fundo isto faz parte de ser pai (ou mãe)!

Ao acabar estas conversas acho que fiquei também eu mais esclarecido e que a conclusão principal é a seguinte:

O essencial é manter sempre uma relação afectiva, em que a comunicação é valorizada e em que a família se adapta de forma progressiva às mudanças inevitáveis desta fase. Nunca desistindo perante as dificuldades inerentes e sendo coerente ao longo do tempo.

Quais são as vossas opiniões/ vivências?

Abraço

DG 2013

PS: Deixo aqui um artigo que escrevi no psiadolescentes sobre “pais e adolescentes problemáticos“, que são felizmente uma minoria dos casos.

 

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Como odeio quando utilizam a palavra esquizofrenia para tudo e mais alguma coisa!

FuriosoA esquizofrenia é uma das mais graves doenças psiquiátricas, que mais sofrimento trás aos doentes e aos seus familiares, cujo o tratamento é difícil e que tanto prejuízo causa a nível pessoal, profissional, familiar e social. Não vou falar muito sobre o que é a esquizofrenia, mas quero apenas referir que é uma doença mental que afecta cerca de 1% da população. Surge geralmente numa idade jovem (final da adolescência início da idade adulta). Tem 3 grupos principais de sintomas:

  • Sintomas positivos: comportamentos e pensamentos que não era suposto existirem, como ideias delirantes, alucinações e desorganização do pensamento.
  • Sintomas negativos: sintomas que determinam uma diminuição da actividade normal, como apatia, anedonia, abulia (basicamente estes três termos implicam diminuição da motivação, vontade e prazer em fazer coisas), embotamento afectivo (incapacidade de modular as emoções) e lentificação do pensamento.
  • Sintomas cognitivos: os mais comuns são a falta de atenção e concentração e o prejuízo da memória. Estas alterações podem ocorrer mesmo antes do primeiro surto da doença (numa fase que chamamos pródromo) e agravar-se ao longo da doença. Estes doentes têm dificuldade em planear e executar tarefas, em tomar decisões e mesmo a nível de linguagem poderão existir dificuldades.

Para mais informações sobre a doença (esquizofrenia) consultar este link.

Infelizmente o termo “esquizofrenia” é provavelmente uma das palavras que pior se utiliza. A palavra significa literalmente “mente dividida”. O Psiquiatra que cunhou este termo, Eugen Bleuler (1911-1950) pretendia que esta palavra descrevesse “a quebra com a realidade causada pela desorganização de várias funções da mente, tal como o pensamento ou os afectos, que nestes doentes não funcionavam correctamente em conjunto”. No entanto muitas pessoas utilizam frases como “sinto-me esquizofrénico” quando têm “mixed feelings” acerca de algo: “gosto desta pessoa, não gosto desta pessoa”; “quero fazer isto ou não quero?”, etc.

Mas mais grave do que isto são pessoas com responsabilidades elevadas utilizarem o termo esquizofrenia por tudo e por nada, tais como jornalistas e políticos, revelando uma enorme falta de respeito pelo sofrimentos destes doentes e familiares, que já são altamente estigmatizados e vítimas de preconceito.

São lamentáveis frases que aparecem na comunicação social e na internet tais como:

A chamada “silly season” atacou mais uma vez o país nesta fase do ano. Para não variar. Embora os sintomas, desta vez, levem à suspeita de uma afetação adicional: a da esquizofrenia. Não houve um só bicho-careta incapaz de comentários epidémicos originários da crise política gerada a partir de uma coligação governamental alvo de amuos, traições e piruetas. – Por Fernando Santos, no JN de 2013-07-08

O líder parlamentar do PS considerou esta quarta-feira que o Governo e o PSD revelam sinais de “esquizofrenia política” – Por Carlos Zorrinho, citado no CM de 2012-10-31

Ministério da Educação sofre de esquizofrenia política – Por  Mário Nogueira, na TVI24 a 2012-07-13

Um país esquizofrénico – Por José Gomes André, titulo de post no blog Delito de Opinião em 2013-02-03.

A meu ver isto revela uma clara falta de respeito pelos doentes, famílias e técnicos de saúde que trabalham com estes doentes! Não haverá palavras melhores? Menos discriminatórias?

Digam que o governo é incompetente, incoerente, ineficaz; gritem que determinada medida é ridícula, não faz sentido ou mesmo… é uma *****!! Mas por favor parem de aumentar o preconceito contra os doentes mentais!! É uma questão de moral.

…Isto é uma daquelas coisas que me deixa furioso (daí a imagem escolhida).

Um abraço furioso a todos (e espero que alguém leia este apelo).

DG 2013

 

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Medicina, empatia e “estúpidas barreiras”

Empatia, é provavelmente a mais importante característica de qualquer técnico de Saúde.

O termo empatia é atribuído ao filósofo Theodor Lipps. O desenvolvimento deste conceito nas ciências psíquicas começou por Karl Jaspers, em sua obra Psicopatologia Geral (em 1913). Nesta obra, propõe que o psiquiatra, ao invés de interpretar, deve “apresentar de maneira viva, analisar em suas inter-relações, delimitar, distinguir do modo mais preciso possível e designar com termos fixos os estados psíquicos que os pacientes realmente vivenciam”

O Professor Doutor José Caldas de Almeida, director da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa define-a da seguinte forma (1): “A compreensão empática deriva da capacidade do médico se colocar na pele do doente e de o tentar conhecer melhor, recorrendo ao conhecimento que tem de si próprio”.

Por vezes sinto que o sistema actual cada vez menos valoriza esta característica. Só vejo preocupações com números, com contenção de despesas, com redução do tempo das consultas. Tantas vezes este processo é inibido pelos contextos, como a falta de privacidade em muitas unidades de saúde (sobretudo em urgências) e pelas fortes pressões de gestores que de empatia percebem zero.

Vejo muitas pessoas a queixar-se que os seus Médicos “não os ouvem”, “que não compreendem o seu sofrimento”, “que os querem despachar”… Infelizmente isto acontece cada vez mais. Mas não creio que a culpa seja fundamentalmente dos técnicos de saúde (claro que há sempre “ovelhas ranhosas”), mas sim fruto desta aceleração constante, da primazia dos números em relação à pessoa e do excesso de stress que a todos afecta.

Como pode haver capacidade de empatia num médico após 24h de urgência ? Ou que trabalha em sítios sem condições mínimas, com falta de pessoal, com falta de material, com os gestores sempre a pressionar para gastar cada vez menos e para passarem menos tempo com os doentes?

Vivemos tempos difíceis. Pode ser a minha visão parcelar, mas eu acredito muito que os médicos e os outros técnicos de saúde se esforçam muito e que não têm dúvidas que a empatia é o pilar de qualquer seguimento e tratamento bem sucedido.

Mas aqui deste lado desta “estúpida barreira” que foi criada entre médicos e doentes, as coisas não estão fáceis. Todos os dias saem notícias que visam culpar os médicos por tudo o que corre mal nos hospitais e centros de saúde, todos os dias saem notícias sobre um esquema de corrupção que envolve algum médico (habitualmente no meio de vários outros parceiros de outras áreas) e logo se generaliza “estes médicos são todos uns corruptos”. Este constante bombardeamento de notícias que visam tornar os médicos num “bode expiatório” para a visível degradação dos cuidados de saúde em Portugal fortalecem a “estúpida barreira”. Tornam os doentes e os médicos mutuamente desconfiados. Por exemplo:

– Médico: “Será que este tipo me vai por um processo, isto agora acontece tanto?”… “Será que me vai tratar com duas pedras na mão?”… “Será que vai ser agressivo comigo?”.

– Doente: “Será que este tipo me vai tratar mal?” … “Será que é daqueles médicos corruptos e baldas?”… “Será que este médico vai mesmo fazer tudo para me ajudar?”.

Como pode existir uma relação empática nestas condições? Não pode.

empathyInterrogo-me e penso muito acerca da forma de dar a volta a este problema. Talvez fosse importante mudar o foco para os principais “players: os políticos, os gestores hospitalares, o Ministro da Saúde, a Troika. Talvez fosse importante derrubar esta “estúpida barreira” e voltarmos a trabalhar em conjunto: os técnicos de saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, etc.) e os doentes e seus familiares.

Porque precisamos todos uns dos outros e porque é tão melhor trabalhar em versão empatia.

Deixo esta minha reflexão com esperança que um dia as coisas mudem para melhor.

Abraços a todos

DG 2013

(1): Referencia bibliográfica: Caldas de Almeida JM. Intervenção psicoterapêutica em clínica geral. In: Caldas de Almeida JM, Machado Nunes J, Carraça I, editores. Saúde Mental na Prática do Clínico Geral. Edições do Instituto de Clínica Geral da Zona Sul, Lisboa; 1994; p.113-120

 
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Publicado por em 27 de Junho de 2013 em Reflexão geral

 

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