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Arquivo de etiquetas: Reflexões cinematográficas

Divulgação: Filme premiado sobre saúde mental em estreia

MUPI_Português_V4.2Divulgo esta informação que recebi e que me parece muito interessante; uma sugestão para os cinéfilos e não só:

Pára-me de repente o pensamento” de Jorge Pelicano, é um documentário cinematográfico que mostra uma visão pouco explorada sobre o mundo da doença mental através do olhar do ator Miguel Borges, que submergiu durante três semanas, na realidade do Hospital Psiquiátrico Conde de Ferreira (Porto) para a preparação e pesquisa de uma peça de teatro sobre a loucura. O ator acaba por integrar o grupo interno do teatro terapêutico constituído por alguns utentes que ensaiam uma peça a propósito dos 131 anos da instituição hospitalar.

A Miguel Borges é atribuído o papel de Ângelo de Lima, um poeta louco, criador do poema “Tédio”, publicado na revista Orpheu e que explora o “eu” esquizofrénico do autor naquilo que é um impressionante testemunho da “entrada na loucura”, como afirmou Fernando Pessoa.

“Pára-me de repente o pensamento” pretende contribuir para derrubar estigmas em torno da doença mental permitindo ao público, através dos testemunhos dos utentes na primeira pessoa, abordar: o lado humano, o irracional, o emocional e todos os outros lados que, afinal, constituem a complexidade humana.

Vencedor de vários prémios nacionais (Grande Prémio, Melhor Realizador, Prémio do Público nos Festival Caminhos do Cinema Português) o documentário continua a marcar presença em festivais internacionais.

O filme estreia oficialmente dia 7 de Maio numa sessão única no Teatro Nacional São João (Porto) que conta com a presença do realizador Jorge Pelicano e protagonistas. Durante a semana de 7-13 Maio, o filme terá exibições regulares no UCI Arrábida Shopping (Gaia) e Cinema City Alvalade (Lisboa).

Ambos os cinemas aderiram aos dias internacionais da “Festa do Cinema”. 11, 12 e 13 Maio os bilhetes são a um preço reduzido de 2,5€.

7 Maio I Teatro Nacional São João (Porto) I 21h (sessão de estreia com a presença do realizador)

7-13 Maio I UCI Arrábida Shopping (Gaia)

7-13 Maio I Cinema City Alvalade (Lisboa)

Website: http://www.paramederepenteopensamento.com

 

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Vídeo

“A Solitary World” — uma homenagem cinemática a H.G. Wells

Gostava de partilhar com os leitores do blog esta peça de poesia cinematográfica. Infelizmente não tem ainda legendas em português.

Esta curta metragem, realizada por James W. Griffiths, apresenta uma narrativa baseada em várias obras de H.G. Wells (1866 -1946). Este é um dos mais famosos autores do campo da ficção científica, sendo autor de livros tão conhecidos como: A máquina do tempo (1895); A ilha do Dr. Moreau (1896) ou a Guerra dos Mundos (1898).

Este filme é um misto de sonhos, encantamento, magia; descreve a procura de equilibrio entre o contacto humano e a necessidade de solidão. É deslumbrante e aconselho vivamente… Infelizmente os últimos minutos estragam a “boa onda”, portanto quando chegarem a essa parte parem o filme. 😉

O que acham?

Abraços e boa semana

DG 2014

 
1 Comentário

Publicado por em 5 de Março de 2014 em Comportamento humano, Leituras

 

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Guia para um final feliz

guia p final felizSó recentemente vi o filme “Silver Linings Playbook” (ou “Guia para um final feliz”), uma obra a meu ver muito feliz, com óptimas actuações, destacando-se claramente a Jennifer Lawrence que ganhou o Oscar de melhor actriz principal.

Retrata a história de um indivíduo com uma suposta doença bipolar, o Pat (Bradley Cooper). O filme inicia-se com o seu regresso a casa após um internamento de origem judicial por agressão ao amante da sua ex-mulher. Logo nas primeiras cenas o cenário é de “caos familiar“, para além de Pat, vários elementos são retratados pela presença de sintomas psiquiátricos. O pai (Robert DeNiro) apresenta traços obsessivo-compulsivos caracterizados por jogo patológico, superstições (ou pensamento mágico em jargão psiquiátrico) e algumas dificuldades no controlo da raiva. A mãe (Jacki Weaver) é uma mulher passiva, que tenta em vão equilibrar a instabilidade do filho e do marido através de sorrisos forçados e comidas caseiras.

Como seria de esperar esta família acaba por “rebentar”, numa cena muito realista em que o pai e o filho entram em conflito físico e em que a mãe é acidentalmente magoada. É a partir desta base, como qualquer bom filme de Hollywood, que o filme parte numa sequência de eventos que irão levar ao tão procurado final feliz!

Um elemento externo surge nesta família, a Tiffany (Jennifer Lawrence), que é também uma personagem atormentada pelo fantasma da morte do ex-namorado que morreu num acidente de viação durante o qual ela ia a conduzir, que acaba por representar os indivíduos com processos de luto patológico (com sentimentos de culpa marcados, incapacidade para seguir em frente e alguns sintomas de stress pós-traumático – que se expressam bem na sua incapacidade para conseguir ligar-se a outro homem).

As representações das doenças psiquiátricas neste filme são razoáveis, o diagnóstico de bipolaridade ao olhar de um psiquiatra parece duvidoso, manifestando-se apenas por comportamentos agressivos e crises de irritabilidade. No entanto o filme foca coisas muito importantes como a necessidade de um seguimento adequado, com um médico em quem se confia (e como isso pode ser difícil no inicio), foca a importância e dificuldade de tomar medicação psiquiátrica, etc. Não levanta muitos preconceitos relativos à psiquiatria (aliás o Médico Psiquiatra até se torna amigo do Pat) o que é bom.

Mas na realidade o que interessa isso? É um filme bem disposto, em que se mostra como em alturas de crise lutar por um objectivo, aceitar ajuda de amigos e da família e, não desistir, podem levar aquilo a que todos procuramos: Um final feliz!

(e a cena final no concurso de dança é espectacular!!)

Recomendo

DG 2013

PS: Para ler mais sobre doença bipolar: http://www.alterstatus.com/pt/doenca-bipolar

 

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O Grande Gatsby

greatgatsbyEsta semana fui ao cinema ver “O Grande Gatsby“, adaptação cinematográfica da clássica obra do escritor americano F. Scott Fitzgerald e realizado por Baz Luhrmann (conhecido pelos filmes Australia, Moulin Rouge e Romeo + Juliet).

Gostei do filme, especialmente no que toca ao visual e à sonoridade. Os “loucos anos 20” são retratados numa visão moderna de irreverência e excentricidade. Como é difícil apostar em tudo senti que o argumento ficou um pouco desvalorizado, embora a história tenha ficado agradável falta-lhe qualquer coisa para tornar o filme numa verdadeira obra-prima.

Puxando “a brasa à minha sardinha”, o tempo presente do filme passa-se num hospital psiquiátrico (daqueles antigos, enormes e assustadores) em que o amigo do Grande Gatsby – Nick Carraway (Tobey Maguire) – está internado após um “colapso nervoso”, que se supõe consequência das intensas experiências porque passou com o seu amigo Gatsby. O psiquiatra (que não existe no romance original) estimula-o a falar (e a escrever) sobre o que se passou… e assim se desenrola a acção do filme baseada nas suas memórias. A personagem do psiquiatra, como se esperava, é bastante cliché… algo enigmática, formal,  aérea… fala com o seu doente enquanto faz jardinagem… mas revela-se uma boa pessoa, interessada e que consegue “dar a volta ao seu paciente”. Neste caso parece-me que se afigura como o típico “psiquiatra simpático”!

Deixo aqui um link interessante sobre “a psicanálise do Grande Gatsby“, para os mais curiosos!

Apesar de não ser uma obra-prima não deixo de recomendar este filme!

Bons filmes

DG

2013

 

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As cores de uma psicose

Descobri esta fantástica animação: Caldera (2012) realizada por Evan Viera.

Sinopse: Através dos olhos de uma rapariga que sofre de uma doença mental, Caldera dá um vislumbre do mundo da psicose, explora uma realidade ambígua e a natureza da vida e da morte.

Segundo o realizador este filme é inspirado na luta do seu pai com a doença mental de que sofria: uma perturbação esquizo-afectiva. Nas palavras do realizador: “Nos seus estados de delírio, o meu pai dançava nos anéis de Saturno, falava com os anjos, fugia dos seus demónios. Vivia num mundo ao mesmo tempo fantástico e assustador… mas isso era invisível para a maioria de nós. Caldera tem como objectivo não só honrar o meu pai, mas todas as mentes brilhantes que habitam nas profundezas fantasmagóricas da psicose“.

Vale a pena.

Caldera (2012) from Evan Viera on Vimeo.

Abraços

DG 2013

 

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Hannibal ou o mito dos psicopatas inteligentes

Adoro séries, confesso… Se existisse uma perturbação de dependência de séries acho que estaria tramado!

Vai estrear uma série que desperta a minha curiosidade: Hannibal. Nada como um “Psiquiatra psicopata canibal” para acelerar o nosso ritmo cardíaco…

Hannibal_LecterNo filme “O silêncio dos inocentes” o Dr. Hannibal Lecter é interpretado pelo fantástico actor Anthony Hopkins e é, sem dúvida, uma das personagens mais memoráveis da cultura cinematográfica americana. O Dr. Lecter é um psicopata (perturbação de personalidade anti-social) caracterizado pelo seu charme superficial, capacidade de manipulação, falta de remorsos e de empatia para com as suas vítimas. Outra das suas características é uma inteligência fora de série, capaz de enganar as autoridades policiais.

No entanto esta personagem ficcional afasta-se muito da realidade. O que os estudos nos dizem é que pessoas com traços anti-sociais de personalidade (i.e. falta de remorsos, falta de empatia, incapacidade de se responsabilizar pelos seus actos, impulsividade, comportamentos anti-sociais na idade adulta) apresentam menor QI verbal.

(ver: DeLisi M et al. The Hannibal Lecter Myth: Psychopathy and Verbal Intelligence in the MacArthur Violence Risk Assessment Study. Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment. June 2010, Volume 32, Issue 2, pp 169-177)

Ainda bem, ficamos mais descansados!

Boas séries.

Abraços

DG 2013

 

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