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Arquivo da Categoria: Esquizofrenia

10 de Outubro – Dia Mundial da Saúde Mental

Saúde-Mental

Altura de falar de (clicar nos links para o conteúdo):

De facto, não há saúde sem saúde mental. Vejam que a própria definição de Saúde segundo a Organização Mundial de Saúde é: “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social“.

Abraços

DG 2014

 

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10 mitos sobre saúde mental

mito-ou-verdadeA saúde mental continua a ser uma área envolta em mitos, preconceitos, estigma e ideias erradas. É inegável que muito se tem evoluído nesta área, mas muito existe ainda a fazer, para que as pessoas que sofrem de qualquer problema de saúde mental tenham os cuidados adequados, para que não tenham receios em pedir ajuda e para que não se sintam (ou sejam) descriminadas.

Só esclarecendo sobre estes mitos é possível ajudar a reduzir os mal-entendidos sobre as perturbações mentais, algo tão prevalente na nossa sociedade… E para isso todos podemos contribuir.

Sinta-se livre para partilhar esta página, com um amigo, com um membro da família, ou mesmo com um profissional de saúde ou de saúde mental. Aqui ficam 10 dos principais mitos (ideias erradas) relacionados com a saúde mental:  

1. Os problemas de saúde mental são incomuns.

Na verdade, quase 1 em cada 5 portugueses terão um problema de saúde mental diagnosticável ao longo da sua vida, de acordo com os dados da Direção Geral de Saúde publicados no relatório “Portugal, Saúde Mental em números – 2013” (o documento pode ser descarregado aqui: DGS Saude Mental em Numeros Portugal 2013).

2. Os problemas de saúde mental são causados ​​pela pessoa que deles padece.

Se por um lado é verdade que as pessoas precisam de assumir a responsabilidade pelos seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos associados às perturbações, eles não são os culpados por eles. Há uma diferença importante entre assumir a responsabilidade e aceitar a culpa, mas, infelizmente, muitas pessoas confundem essas duas coisas.

3. Os problemas de saúde mental são de natureza puramente biológica ou genética.

Apesar de investigações recentes demonstrarem um papel importante da biologia ou da genética numa grande parte dos problemas de saúde mental, estes são presentemente conceptualizados como o resultado final de múltiplos fatores: biológicos; genéticos; sociais; psicológicos; ambientais; etc. A doença mental é complexa e exige uma ampla visão para a sua compreensão, mas também na intervenção.

4. Os problemas de saúde mental são muitas vezes para toda a vida e difíceis de tratar.

Esta questão coloca-se muito frequente quando se medica pela primeira vez um paciente, com uma doença recém-diagnosticada, como depressão ou ansiedade. Na verdade, a maioria dos medicamentos (com algumas poucas exceções, como as previstas para a doença bipolar e esquizofrenia, por exemplo) são prescritos para um prazo relativamente curto (menos de um ano), tendo como objectivos o alívio dos sintomas e a prevenção de episódios futuros. Na maior parte dos casos é possível resolver a situação por completo.

5. Uma psicoterapia leva uma eternidade e foca sempre problemas de infância.

Trata-se de um mito e um resquício dos dias em que a única opção era a realização de terapias do tipo psicanálise clássica. Embora por vezes esta técnica seja útil e eficaz, as várias técnicas de psicoterapia modernas podem ser de curta duração e orientadas para o problema. São exemplo as psicoterapias de modelo cognitivo-comportamental, que enfatizam pensamentos irracionais que levam a comportamentos e sentimentos disfuncionais, ou a terapia interpessoal. A maioria das doenças mentais comuns podem ser tratadas numa questão de meses em vez de anos.

6. Eu posso lidar com meus próprios problemas de saúde mental, e se eu não posso, eu sou fraco.

Apesar da primeira parte dessa afirmação não ser tanto um “mito”, porque a realidade é que a maioria das pessoas que têm um problema de saúde mental não procuram tratamento adequado (infelizmente). No entanto a segunda parte (sou fraco) é claramente um preconceito.

Se bem que por vezes o esforço para resolver o problema, através de estratégias de coping (tais como o exercício físico, cuidados com a alimentação, sair com os amigos, esforçar-se mais no trabalho, etc.) possa ajudar a minimizar o problema, por vezes é mesmo necessário recorrer a ajuda de um profissional de saúde mental… e isto não deve ser vergonha nenhuma! Isto não significa que você é fraco – fraco de espírito, de força de vontade, ou o que quer que seja. Isto significa que você percebe e aceita as suas limitações humanas e naturais, e procura cuidados adequados quando as suas capacidades de lidar com o problema não são o suficiente.

Se tivesse partido um pé a sua escolha seria esforçar-se para aguentar, com risco de agravar a fratura e arriscar uma incapacidade permanente, ou ir a um ortopedista para tratar desse problema e voltar a andar como antes? Isto faria de si fraco!? Veja esta imagem.

7. Se eu admitir que tenho problemas, toda a gente vai pensar que eu sou maluco e eu vou ter de ir para um hospital por um tempo muito longo.

“Maluco” é um termo genérico que nada significa neste contexto. Todos somos um pouco “malucos”, pelo menos por vezes (e ainda bem). No entanto, ter uma doença mental não significa que você está “maluco” ou “louco”. Significa apenas que você tem um problema, tal como uma outra qualquer doença médica, que precisa de tratamento. Será que um membro da família ou amigo vai pensar mal de si por ter leucemia? Cancro? Gripe? Então porque deveriam pensar mal de si por ter depressão ou ansiedade? Se o fizerem, são eles que precisam de educação e de ser menos preconceituosos.

A maioria das pessoas que têm uma perturbação mental não precisa de internamento. A hospitalização só é usado em casos extremos, quando o problema o coloca em risco de morte iminente (ou com risco de causar danos a objetos ou outras pessoas) ou para a realização de um tratamento especial que necessita mesmo de ser feito em ambiente hospitalar. Mesmo que seja internado, isso não significa que fique internado semanas ou meses. Tal como em qualquer doença, será avaliado, tratado e terá alta assim que se estiver a sentir melhor.

8. Ter ideias suicidas significa que enlouqueci.

É comum existirem ideias suicidas na depressão ou noutras perturbações do humor. É um sintoma, que apesar de grave e angustiante, é comum, não o fazendo mais ou menos “louco”. Estas ideias suicidas começam a desaparecer assim que começar a receber os cuidados adequados para a sua condição. É por isso que é tão trágico quando as pessoas realmente se suicidam, sem pedir ajuda … acredito que a maioria o faz por estar doente e que se tratado a tempo poderia estar vivo e a sentir-se bem. Veja aqui os 10 grandes mitos (ideias erradas) sobre o suicídio e sobre os comportamentos autolesivos.

9. Os medicamentos psiquiátricos causam dependência e depois de começar é muito difícil parar.

Trata-se de um mito muito frequente, que leva a que muitas pessoas não façam os tratamentos adequados. A verdade é que a maioria dos medicamentos utilizados para tratar as perturbações mentais não causa qualquer dependência. Nem os antidepressivos, nem os estabilizadores do humor, nem os antipsicóticos, apresentam este problema. Por outro lado, medicamentos ansiolíticos comuns (ex: xanax, lorenin, victan, etc.) que as pessoas utilizam muitas vezes sem qualquer seguimento médico (por vezes mesmo sem receitas médicas, sendo fornecidos por amigos ou vizinhos), e muitas vezes sem esta preocupação “que possam causar vício”, podem levar a uma dependência complicada. Não quer dizer que não se possam utilizar e que não sejam úteis, porque o são de facto, mas sempre sob monitorização e acompanhamento adequado.

10 . Os diagnósticos em Psiquiatria são apenas etiquetas para comportamentos normais.

Para quem nunca lidou com alguém com uma doença mental (como amigo, familiar ou mesmo técnico) pode parecer que determinados sintomas psicopatológicos são muito semelhantes a emoções ou comportamentos normais. Por exemplo, como traçar a linha entre a tristeza normal e a patológica, ou quando é que falamos de timidez ou de ansiedade social, ou quando é que a organização se torna uma compulsão? No entanto, tal como a diferença entre um tumor benigno e um cancro, os sintomas na perturbação mental são bem diferentes das emoções ou comportamentos “normais”. Habitualmente, quando determinada emoção ou comportamento se torna debilitante ao ponto do paciente não conseguir funcionar do ponto de vista profissional, social ou familiar, estamos muito provavelmente perante uma doença mental. O diagnóstico (a “etiqueta”) torna-se nestes casos particularmente importante por várias razões: para o próprio paciente saber com o que está a lidar; para os técnicos intervirem da melhor forma e de acordo com o que se sabe do ponto de vista científico para esse diagnóstico; também para a evolução da ciência, pois é necessário que os investigadores falem uma linguagem comum para compararem resultados e discutirem as possíveis linhas de investigação.

Recomendo também a leitura deste post mais antigo sobre os principais medos envolvidos na primeira consulta, algo que chamei de psiquiatrofobia.

Um abraço e lembrem-se que compete a todos lutarmos contra o estigma e o preconceito na saúde mental. DG 2014

PS: Parte deste artigo baseia-se no trabalho de Grohol, J.M. (Feb 1998). Top ten myths about mental health  

 

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Por vezes, quando digo “está tudo bem”…

…gostaria que alguém me olhasse nos olhos e dissesse “não estás sozinho”.

Um alerta da autoria de Soumya Jindal, publicado na página de Facebook da United Nations For Youth, a propósito da campanha Mental Health Matters (das Nações Unidas). Uma imagem que vale mil palavras.. um alerta para a solidão causada pelo estigma que existe a propósito das doenças mentais… um sofrimento isolado, incompreendido.

Não pode continuar a ser esta a realidade!

Soumya Jindal #MentalHealthMatters

Soumya Jindal #MentalHealthMatters

 

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Por trás da porta amarela… uma história de doença mental

yellow-house-jpgUma paciente minha enviou-me este texto, que não conhecia: “Por trás da porta amarela, há um homem com problemas psicológicos“. Trata-se de um texto, publicado no jornal Público (também no The Washington Post) e escrito por Stephanie McCrummen.

É a história de um homem de meia idade, que sofre (muito provavelmente) de uma psicose, que lentamente destrói a sua vida e o afasta da família. Fala das dificuldades em lidar com este tipo de situação e como, muitas vezes, a sociedade não apresenta respostas adequadas para estes doentes.

Ninguém sabe o que ele está a fazer. Ninguém sabe em que é que pensa, o que come ou como sobrevive. Em dois anos, desde que a sua mulher em pânico levou os dois filhos e o deixou ali sozinho, nunca falou com ninguém mais do que alguns minutos. Não deixou ninguém passar da porta, que fortificou com uma nova fechadura, um bocado de plástico a tapar o vidro e contraplacado por baixo, que pintou de um amarelo quase fluorescente. Tem sempre as cortinas da sala corridas.

O homem da casa — que tem 42 anos, já chegou a ganhar um salário de seis dígitos trabalhando para o Capitol Hill e era um marido e pai dedicado — diz aos pais que não está doente. Tanto quanto sabem, deixou de tomar os medicamentos psiquiátricos que lhe foram receitados depois de ter contado à polícia que Deus falava através do seu filho de três anos. Abandonou o emprego e deixou de pagar as contas. A família não sabe o que fazer.

Aconselho vivamente para todos os interessados neste tema. Aqui fica o link para o texto completo: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/por-tras-da-porta-amarela-ha-um-homem-com-problemas-psicologicos-1662325.

DG 2014

 

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O que é a Saúde Mental?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspecto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspectiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Saúde-Mental

Porque é isto importante?

A OMS publicou recentemente um relatório sobre a importância de investimento na saúde mental. No relatório “Investing in Mental Health – Evidence for action”, a OMS explora os conceitos de saúde mental, qual a sua importância para a vida humana como um direito fundamental, e quais as direções que os governos podem seguir no sentido de alterar as políticas públicas.

“A saúde mental e o bem-estar são fundamentais para nossa capacidade coletiva e individual, como seres humanos de pensar, sentir, interagir uns com os outros, ganhar e aproveitar a vida. No entanto, atualmente a formação do capital mental individual e coletivo – especialmente nos estágios iniciais da vida – está a ser retido por uma série de riscos evitáveis ​​para a saúde mental, enquanto os indivíduos com problemas de saúde mental são desprezados, discriminados e negados direitos básicos, inclusive acesso aos cuidados essenciais.

Neste relatório, as razões potenciais para esta aparente contradição entre os valores humanos e ações sociais observados são explorados com vista a uma melhor formulação de medidas concretas que os governos e outras partes interessadas podem tomar para reformular as atitudes sociais e políticas públicas em torno da saúde mental.”

A pensar… a agir… de forma urgente!

Cumprimentos para todos

DG 2014

 

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2014: Ano Europeu do Cérebro

O European Brain Council nomeou o ano 2014 como o Ano do Cérebro na Europa.

Esta iniciativa tem o apoio de mais de 200 organizações que representam doentes, comunidades científicas e profissionais de saúde, das várias disciplinas que se focam no estudo do cérebro. Para além de vários comissários europeus, o projeto também recebeu o apoio significativo e entusiasta por parte do Parlamento Europeu e dos Estados-membros da União Europeia.

Com o lançamento do ano do cérebro na Europa em 2014, pretende-se conseguir consciencializar e educar, alcançando um impacto significativo na modificação das percepções e redução dos estigmas.

O cérebro, porquê?

A estrutura mais complexa do universo encontra-se dentro de cada um de nós: o cérebro humano.

Com milhares de milhões de neurónios e uma quantidade incontável de redes de informação, apesar dos enormes progressos das neurociências nas últimas décadas, estamos longe de o compreender totalmente.

Além de fornecer a base de nossa personalidade, pensamentos, sentimentos e outras características humanas, o cérebro é também a origem de muitas doenças crónicas e incapacitantes, como é o caso das demências, com um enorme impacto na sociedade e que coloca uma crescente pressão sobre os sistemas de saúde, sobretudo à medida que as populações se tornam mais envelhecidas.

Aqui fica o link para a iniciativa: www.europeanbraincouncil.org

E um link para uma entrevista com o neurologista Alexandre Castro Caldas, a este propósito: RTP Play

E um documentário, da BBC, sobre a evolução do cérebro humano (em inglês, mas com legendas em português):

Um abraço a todos

Diogo Guerreiro

 

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Vídeo

Um exemplo de coragem…

 

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