Autolesões. A dor por fora para disfarçar a dor por dentro

Tive o privilégio de conversar com o Paulo Farinha, jornalista do Observador, sobre um tema que me é profundamente caro: comportamentos autolesivos (CAL).

Está na série de podcasts intitulada “Sair do labirinto”.

Foi uma conversa muito interessante e, espero, elucidativa sobre o tema.

Podem assistir na íntegra aqui:

💡 Sabia que os CAL afetam entre 10% a 18% da população ao longo da vida?
Embora mais comuns na adolescência e com o dobro da prevalência em mulheres, também ocorrem em homens e adultos. Estes comportamentos estão frequentemente associados a perturbações como ansiedade, depressão, perturbações relacionadas com o trauma, abuso de substâncias e outras condições psiquiátricas.

🔍 Porquê falar sobre isto?

  • Os CAL são um dos maiores fatores de risco para suicídio consumado.
  • Identificá-los e preveni-los é uma prioridade de saúde pública.
  • Muitas vezes, são uma tentativa de regular emoções num contexto de grande sofrimento.
  • Identificar a situação, recorrer a ajuda profissional (psiquiátrica e psicológica) é essencial. Tratar a perturbação psiquiátrica que exista de base é uma parte do processo. Outra, igualmente importante, é trabalhar formas de gerir as emoções, assim como os mecanismos de adaptação ao stresse. Isto é “sair do labirinto”.

No meu percurso como psiquiatra e autor, tenho dedicado muita atenção a este assunto. Foi o tema da minha tese de doutoramento (em 2014). No meu livro “E quando não está tudo bem?”, exploro como reconhecer e agir perante estas situações. Mais recentemente, em “Não complique (e outros 17 bons hábitos de saúde mental)”, defendo que a educação em literacia de saúde mental desde cedo pode evitar problemas mais graves no futuro.

Se está a passar por uma situação difícil ou conhece alguém que precise de ajuda, procure apoio: fale com um médico, terapeuta, ou contacte o SNS 24. Não está sozinho. 💛

Abraço
Diogo Guerreiro

2 responses to “Autolesões. A dor por fora para disfarçar a dor por dentro”

  1. Avatar de literalmentelivre

    Pior que muitos sequer percebem que estão se machucando fisicamente, eu por exemplo, passei anos ferindo meus lábios e as bochechas por dentro, no caso uma estereotipias, mas tarde roer unhas e catucar o ouvido mesmo ele estando limpo, só depois de ser medicada e pesquisar sobre meu diagnóstico que eu eu entendi que estava me machucando. As unhas sangravam de tanto roer. Então comecei a trabalhar a minha mente para transferir essas regulações para outras coisas que não me lesionassem.

  2. Avatar de literalmentelivre

    Amei a postagem, muito necessária e importante.

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Eu sou o Diogo

Bem-vindo ao Reflexões de um Psiquiatra, o meu canto na galáxia da internet, desde 2013. Aqui falo sobre saúde mental, sobre o quotidiano, sobre crises e alegrias. Vou partilhando alguns dos meus pensamentos e tento desmistificar alguns temas da saúde e da doença mental. Sou Médico Psiquiatra, mas também escritor, investigador, pai e marido.

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