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Arquivo de etiquetas: Reflexões literárias

Livro: Silêncio por Susan Cain

Susan CainJá há muito tempo que estou para recomendar este livro, “Silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não para de falar”; da autora norte americana Susan Cain. Trata-se de uma obra de fácil leitura, em que são focados os aspetos da introversão vs extroversão e em que se faz uma desconstrução do “ideal extrovertido”… Existem mesmo pessoas que são mais introvertidas (e isto tem as suas vantagens e desvantagens) e outras que são mais extrovertidas (e isto também tem as suas vantagens e desvantagens).

Muitas vezes, na prática clinica deparamos-nos com introvertidos que sentem que há algo de errado com eles, porque todos falam mais que eles, porque todos gostam de festas, porque estar em multidões é que é bom… E isso é muito a mensagem que é transmitida pelos media… mas que não podia ser mais incorreta. Ser introvertido não é problema nenhum! Ser introvertido não é sofrer de fobia social ou estar deprimido; também como muitos vezes é sugerido por familiares preocupados… “Dr. ele gosta de ficar no quarto a ler, enquanto os amigos gostam é de estar em festas”… O livro da Susan Cain relata tudo isto muito bem e é uma leitura que recomendo para todos os que queiram compreender melhor este mundo dos introvertidos.

Fica aqui a sinopse:

Pelo menos um terço das pessoas que conhecemos é introvertido. Estas pessoas são as que preferem ouvir a falar, ler a socializar; que inovam e criam, mas não gostam de se autopromover; que privilegiam o trabalho solitário às sessões de brainstorming coletivo. Embora seja habitual rotulá-los de «silenciosos», é aos introvertidos que devemos muitos dos grandes contributos para a sociedade – dos girassóis de Van Gogh à invenção do computador pessoal. Esta investigação notável e recheada de histórias pessoais inesquecíveis demonstra até que ponto se subestima a introversão, e como essa atitude conduz ao menosprezo de enormes talentos. Susan Cain documenta a ascensão do «Ideal do Extrovertido» no século xx e explica o alcance deste fenómeno. Questiona os valores dominantes da cultura empresarial americana, onde o hábito do trabalho em equipa pode matar a criatividade, e onde o potencial de liderança dos introvertidos costuma ser desperdiçado. E recorreu aos dados da investigação mais recente em psicologia e neurociência para revelar as diferenças surpreendentes entre extrovertidos e introvertidos. Para que não restem dúvidas, conta-nos a história de introvertidos célebres como Lewis Carroll, Gandhi, Albert Einstein, Eleanor Roosevelt e Al Gore. Este livro extraordinário mudará em definitivo a maneira como vemos os introvertidos e, não menos importante, a forma como os introvertidos se veem a si próprios.

Um abraço e boas leituras.

DG 2015

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Livro: “As Raízes do Sintoma e da Perturbação Mental”

Para todos aqueles que se interessam sobre a história da Psiquiatria, da Psicopatologia e do próprio conceito de doença e saúde mental, fica aqui a sugestão de leitura: “As Raízes do Sintoma e da Perturbação Mental“.

As Raízes do Sintoma e da Perturbação MentalRecém publicado pela Lidel, conta com a contribuição de vários colegas, de vários pontos do mundo. Fico orgulhoso por ter também participado nesta obra. Aqui fica a sinopse:

A doença mental e o sintoma, objetos da psiquiatria, não têm existência por si mesmos. Dependem de uma construção que resulta das decisões de certos agentes sociais que, num contexto social e histórico específicos, identificam que determinadas manifestações comportamentais constituem um sintoma ou uma perturbação. Assim se compreende que estes objetos, sendo fruto de uma conjetura social e do pensamento filosófico integrados numa época específica, devam ser investigados também através das ciências sociais e humanas (história, sociologia, filosofia).

Neste livro os autores exploram o contributo de alguns dos psiquiatras mais relevantes das principais escolas psiquiátricas (alemã, francesa, inglesa, espanhola, portuguesa e brasileira), fazendo assim uma aproximação às raízes históricas dos sintomas e das perturbações mentais, fundamental para compreender os critérios psicopatológicos atuais, refletir sobre a sua adequação aos tempos modernos e contribuir para a sua eventual revisão.

Elaborada por vários autores já consagrados e ligados às Faculdades de Medicina das Universidades de Lisboa e do Porto, ao King’s College (Londres) e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, esta obra destina-se a todos os médicos psiquiatras e de outras especialidades, psicólogos, enfermeiros, estudantes destas áreas e outros interessados nos temas abordados.

“Este livro é um tributo ao passado e aos homens que fizeram da psiquiatria uma matéria médica e científica. Esperamos que este tributo seja apreciado e valorizado como merece ser.”

 

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Um bom fim de semana!

Sol

Os dias de verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 
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Publicado por em 16 de Maio de 2014 em Reflexão geral

 

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A culpa não é sempre da Mãe… Obviamente que não!

Ainda não consegui voltar ao ritmo aqui no blogue… com tantas pontas soltas e coisas pendentes, tenho andado um autêntico “escravo do tempo”!

culpa nao e sempre da maeNo entanto, não queria deixar de publicamente agradecer à Sónia Morais Santos, jornalista e veterana da blogosfera, a simpática dedicatória que me fez e dar os parabéns pelo seu recém publicado livro “A Culpa não é sempre da Mãe!“. 

Aqui há uns tempos falámos um pouco sobre adolescentes e, claro, sobre como as mães (e os pais) muitas vezes se sentem culpados por tudo (ou por nada) do que fazem/ dizem (ou que não fazem/ dizem) com os seus filhos adolescentes. Nesta nossa sociedade, em que a pressão para a perfeição é enorme, assim como a tendência para os pais se “anularem” para tudo dar aos filhos (menos a capacidade para tolerar as frustrações), este livro bem humorado e com relatos na primeira pessoa, assim como com relatos de técnicos de saúde, vem em boa hora.

Já comecei a ler e posso dizer que até agora estou a gostar bastante.

Agora aguardo ansiosamente o complemento “A culpa não é sempre do Pai”. 🙂

E já agora… se o Benfica perder hoje obviamente que a culpa não é da Mãe… Agora se é do governo, da UEFA, ou da “maldição do Bella Gutman”, isso agora não sei!

Boas leituras e até breve!

 

PS: Deixo a sinopse do livro para os interessados.

maeÉ tão certo como dois e dois serem quatro, como a noite vir a seguir ao dia, como o Natal ser a 25 de dezembro. Mãe que é mãe sente culpa. Culpa do que fez e do que não fez e podia ter feito. Culpa com fundamento e sem fundamento. Culpa por ter gritado, por ter chegado demasiado tarde a casa, culpa por aquela palmada, culpa por não ter lido a história para o filho adormecer, culpa porque perdeu as estribeiras quando ajudava os miúdos com os trabalhos de casa, culpa porque discutiu com o marido à frente das crianças, culpa por aquela perna partida do mais novo que aconteceu quando nem sequer estava presente (mas devia ter estado presente, claro, se estivesse presente a perna estava inteirinha, logo a culpa é só sua!) Revê-se nisto? Já o sentiu? Fez um certo em todas as situações referidas ou em quase todas? Então este livro é para si. Culpa, culpa, culpa. Porque é que somos tão duras connosco? Porque é que achamos que tudo é da nossa responsabilidade? Para quê insistir em sermos perfeitas quando a perfeição não existe?»Com base em relatos de diversas mães, recorrendo à análise de psicólogos, pediatras, e com a experiência de 12 culposos anos de maternidade, a jornalista Sónia Morais Santos, mãe de três crianças, traz-nos “A Culpa não é sempre da Mãe”! Um livro bem-humorado da autora do blogue «Cocó na Fralda», onde as leitoras se vão comover com algumas histórias, identificar-se com outras tantas situações, gozar consigo próprias, pensar sobre a maternidade e rir-se à gargalhada com situações por que todas nós já passámos. Porque a maternidade não é uma competição. Porque as mães não são super-heroínas, apenas mães e como todas nós sabemos… Não há mães perfeitas!

 

 

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Vídeo

“A Solitary World” — uma homenagem cinemática a H.G. Wells

Gostava de partilhar com os leitores do blog esta peça de poesia cinematográfica. Infelizmente não tem ainda legendas em português.

Esta curta metragem, realizada por James W. Griffiths, apresenta uma narrativa baseada em várias obras de H.G. Wells (1866 -1946). Este é um dos mais famosos autores do campo da ficção científica, sendo autor de livros tão conhecidos como: A máquina do tempo (1895); A ilha do Dr. Moreau (1896) ou a Guerra dos Mundos (1898).

Este filme é um misto de sonhos, encantamento, magia; descreve a procura de equilibrio entre o contacto humano e a necessidade de solidão. É deslumbrante e aconselho vivamente… Infelizmente os últimos minutos estragam a “boa onda”, portanto quando chegarem a essa parte parem o filme. 😉

O que acham?

Abraços e boa semana

DG 2014

 
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Publicado por em 5 de Março de 2014 em Comportamento humano, Leituras

 

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Leituras: Índice Médio de Felicidade

Acabei recentemente de ler o “Índice Médio de Felicidade“, o segundo romance de David Machado.

indice medio felicidadeO livro conta a história de Daniel, um jovem adulto, que como tantos outros nestes tempos,  procura um rumo para dar à sua vida. Um optimista inato que se confronta com uma série de dificuldades que abalam o seu mundo e testam a sua força de vontade. Afastado da sua família, desempregado, falido… Tudo parece conspirar para corromper o seu “plano para o futuro”. Mas não só desta personagem se faz a história, existe o amigo ausente Almodôvar, preso por assaltar uma bomba de gasolina; o Xavier, que não sai de casa há 12 anos (um retrato de uma agorafobia); há adolescentes agressivos e perdidos, que dão asas ao seu sadismo; surge um antigo professor do secundário que se tornou alcóolico e que vive na rua; sem esquecer os filhos do Daniel, que procuram compreender a complexa situação em que vivem…

É um livro que aborda tanto a felicidade como a infelicidade, descreve momentos de optimismo e outros da maior desesperança, que balança entre a persistência e a frustração. É uma obra que leva à reflexão sobre o que somos, para onde vamos, qual o nosso papel na sociedade actual, qual o posicionamento entre carreira e família ou até onde estamos dispostos a ir para perseguir determinados objectivos.

Foi uma leitura que me prendeu logo nas primeiras páginas. Gostei da escrita, da forma como são apresentadas as situações, gostei muito dos diálogos… muitos deles sob a forma de pensamento entre o Daniel e o Almodôvar.  A história tem ritmo, acelerando entre momentos absurdos (por vezes surreais) e outros da maior crueza e realismo.

É constante a referência ao “Índice médio de felicidade”, que a personagem principal (o Daniel) calcula e recalcula, sobe, desce, insere variáveis na equação, compara-se com os países desse índice… Mas afinal que índice é esse?

É possível que o autor se tenha inspirado na World Database of Happiness, da Erasmus University Rotterdam, Happiness Economics Research Organization. Que se baseia na seguinte questão : “(Numa escala de 0 a 10) Tomando tudo em consideração, quão satisfeito ou insatisfeito está com a sua vida de uma forma geral e no momento atual?“. Segundo esta medida, o valor médio entre os anos de 2000 e 2009, para a população portuguesa é um singelo 5,7.

Também é possível que David Machado se tenha inspirado no Happy Planet Index, nomeadamente na sua variável Experienced well-being (sensação de bem estar subjectivo), da New Economics Foundation. Que se baseia na seguinte questão: “Imagine uma escada, 0 está na base da escada e representa o pior tipo possível de vida, enquanto 10 está no topo dessa escada e representa a melhor vida possível. De 0 a 10 diga em que degrau está no momento actual“. Segundo esta medida, o valor médio de bem estar subjectivo em Portugal situava-se, no ano de 2012, em 4,9 (entre o Bangladesh e a Namíbia – número 94 de uma lista de 151 nações).

Outra medida é a da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Better Life Index, nomeadamente na sua variável de satisfação com a vida, que é medida através da seguinte questão: “Numa escala de 0 a 10 qual a sua satisfação com a vida de uma forma global?“. Neste caso Portugal cota 5,0 abaixo da média da OCDE de 6,6.

Mas o que será que isto quer efectivamente dizer?

Não tenho quaisquer pretensões de responder a esta questão… são medidas, variáveis, números… poderão querer dizer muita coisa ou nada. Serão os portugueses realmente menos felizes que a maioria dos outros povos? Ou serão apenas mais pessimistas ou cautelosos nas respostas de “0 a 10”? Não sei… A felicidade é um conceito complexo, provavelmente pouco dado a medidas numéricas simples. Quando penso em felicidade lembro-me sempre desta citação de Thoreau:

A felicidade é como uma borboleta: Quanto mais tenta apanhá-la, mais ela se afasta de si. Mas se dirigir a sua atenção para outras coisas, ela virá e pousará suavemente no seu ombro.

Gostei deste livro que recomendo vivamente.

Boa noite e abraços

DG 2014

PS: Neste link poderão ler uma interessante entrevista dada por David Machado à revista Visão.

Neste link poderão consultar os “mapas da felicidade”, medidos por alguns destes indicadores.

 

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Leituras de verão: o hedonismo e o senso comum.

Oscar Wilde

Nada como a praia para por em dia a leitura…

Estive a ler “O Retrato de Dorian Gray” por Oscar Wilde, esta frase, que o hedonista Sir Henry debita numa tertúlia com amigos, fez-me reflectir:

Atualmente, grande parte das pessoas morre de uma espécie de senso comum arrepiante, e, quando é demasiado tarde, chega à conclusão de que as únicas coisas de que nunca nos arrependemos são os nossos erros.

Poderemos lamentar mais os erros não fizemos do que aqueles que fizemos?

O que acham?

Um abraço

DG 2013

 

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