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Aquivos por Autor: Reflexões de um Psiquiatra

Sobre Reflexões de um Psiquiatra

Médico Psiquiatra

A propósito do dia de S. Valentim

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“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”
Antoine de Saint-Exupéry

Alguma “ciência sobre o amor” diretamente desde a Austrália: https://blogs.unimelb.edu.au/sciencecommunication/2012/08/24/some-love-science/

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Publicado por em 15 de Fevereiro de 2018 em Reflexão geral, Felicidade

 

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Ai a minha memória!… Algumas dicas sobre Défice Cognitivo Ligeiro

Saiu este mês uma artigo científico importante relacionado com a temática do Défice Cognitivo Ligeiro:Practice guideline update summary: Mild cognitive impairment. Report of the Guideline Development, Dissemination, and Implementation Subcommittee of the American Academy of Neurology” (disponível de forma integral aqui) Este estudo focou-se nas questões de prevalência, transição para demência e eficácia das várias intervenções (farmacológicas e não farmacológicas).

Sobre isto, deixo algumas informações em forma de perguntas e respostas.

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Salvador Dalí – A Persistência da Memória (1931)

Antes de mais, o que é o Défice Cognitivo Ligeiro (DCL)?

O DCL é uma condição em que o indivíduo apresenta declínio de uma ou mais funções cognitivas (como por exemplo: memória, linguagem, atenção, planeamento executivo, etc.), mas com consequências mínimas para a sua vivência diária. Para o seu diagnóstico é necessário a presença de queixas subjetivas, mas também de uma avaliação objetiva, preferencialmente através de uma avaliação neuropsicológica (que nos dá indicação da extensão do défice e das áreas afetadas).

Porque é que isto interessa?

O DCL pode ser uma forma de apresentação precoce de uma demência (como por exemplo: doença de Alzheimer), embora também possa ser secundário a várias patologias neurológicas, psiquiátricas, doenças sistémicas ou mesmo, a efeitos adversos de certos medicamentos.

Quando não se deteta nenhuma causa secundária que se possa tratar (e isto já é muito importante pois a tendência destes casos é para o agravamento), sabemos que pacientes com DCL são um importante grupo de risco para quadros de demência (situação de défice cognitivo grave, em que a vida diária fica profundamente afetada e, na maioria dos casos, de forma irreversível).

É comum?
Sim. Aumentando a frequência com a idade e sendo mais comum em pessoas com menor grau educacional. Este estudo agrupou vários dados e chegou à seguinte estimativa de prevalência:

  • 60–64 anos: 6.7%
  • 65–69 anos: 8.4%
  • 70–74 anos: 10.1%
  • 75–79 anos: 14.8%
  • 80–84 anos: 25.2%

E quantos casos evoluem efetivamente para demências?

Segundo os dados deste estudo, todos os pacientes com diagnóstico de DCL tem um maior risco de progressão para demência que pessoas com a mesma idade e sem este diagnóstico. Cerca de 15% dos indivíduos com mais de 65 anos e DCL, no espaço de seguimento de 2 anos, evoluíram para um quadro demencial. Apresentando um risco relativo de demência (incluindo doença de Alzheimer) cerca de 3x superior às pessoas sem DCL.

No entanto, alguns casos revertem (ao contrário do que acontece nas demências), ficando sem padrão de défice cognitivo, tendo sido estimado que isto acontece entre 14 a 50% das pessoas.

Infelizmente, apesar de muitos desenvolvimentos na investigação nesta área, ainda não existem biomarcadores que possam prever com precisão quais os doentes que irão evoluir para demência (pelo que análises ou exames de imagem ainda não são úteis para este efeito).

E afinal, o que pode ajudar?

É muito importante a avaliação precisa do caso e a sua monitorização ao longo do tempo (afinal estamos a falar de um grupo de risco para doenças graves). Também muito importante é modificar fatores de risco que são os mesmos para DCL ou para Demências, nomeadamente:

  • Fatores de risco cardiovasculares: sedentarismo, tabagismo, alterações do metabolismo do açúcar (controlo da diabetes), alterações do metabolismo dos lípidos (dislipidémias).
  • Fatores relacionados com o sono: as perturbações do sono estão muito relacionadas com estes quadros (ler mais sobre a importância de uma boa noite de sono)
  • Diagnóstico e tratamento da depressão: a depressão não tratada está associada também a défices cognitivos e a um risco maior de DCL e demência.
  • Rever medicamentos que possam interferir com a cognição.
  • Fatores dietéticos: muitos idosos apresentam uma nutrição com falhas que poderá estar associada a pior prognóstico. Uma alimentação diversificada, incluindo vegetais, fruta e peixe, é fundamental.

Infelizmente nenhum medicamento (incluindo os medicamentos utilizados nas demências) demonstrou ser eficaz para a prevenção da evolução para demência.

Por outro lado, algumas estratégias não farmacológicas, mostraram resultados muito promissores (ao nível de ajudarem na prevenção), nomeadamente duas:

  • Exercício físico regular.
  • Treino cognitivo.

Ou seja, mais uma vez a velha máxima mente sã em corpo são se aplica, não sendo demais salientar a importância do desporto (estimular o corpo) e de treinar o cérebro (estimular o mente).

Abraços

DG 2018

 

 

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Dia “Time to Talk”

tttd-960-x-9603.jpgUma organização do Reino Unido promove o dia do “Tempo para Falar” (“Time to Talk”) sobre a Saúde Mental. O objetivo é diminuir a descriminação e o estigma a que muitos dos que sofrem com doença mental estão sujeitos… e isto pode ser feito de forma simples: falando sobre o assunto!

Este é o site oficial: https://www.time-to-change.org.uk

Neste site existe um vasto conteúdo, que todos podemos utilizar para sensibilizar sobre este tema. Estão disponíveis mais de 1000 histórias pessoais.

Aqui está um excerto retirado do site: 

Cerca de 1 em cada 4 pessoas terá um problema de saúde mental este ano, mas a vergonha e o silêncio podem ser tão maus quanto o próprio problema de saúde mental. A sua atitude em relação à saúde mental pode mudar a vida de alguém“.

Que não hajam dúvidas em relação a isto, a atitude de todos nós perante a Saúde Mental pode levar a mudanças substanciais na qualidade de vida dos outros… Por isso, fale sobre isto…

Desafio aceite, e vocês?

Abraços
DG 2018

Neste post mais antigo poderão ver alguns dos mitos (ideias erradas) mais comuns sobre este tema: https://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2014/09/08/10-mitos-sobre-saude-mental/

 

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Doenças mentais vs doenças físicas – faz sentido falar disto?

mentecorpo.jpgNão é raro ouvir-se falar de “doenças da cabeça” ou da diferença entre ter uma “doença física” ou uma “doença mental”… No entanto, esta divisão mente e corpo é puramente artificial e a manutenção desta visão deriva provavelmente do facto de o sistema nervoso central, o cérebro e as suas ligações, serem ainda em grande parte território inexplorado.

Os técnicos de saúde mental (psiquiatras, psicólogos, etc.) há muito que o sabem na prática. Que com muita frequência “doenças mentais” provocam sintomas físicos, veja-se o exemplo da depressão major em que são por demais comuns sintomas de dor, náuseas, cefaleias, etc. Ou que determinadas doenças ocorrem com maior frequência em pacientes com historial de depressão ou ansiedade (por exemplo), mas também vice-versa (doentes com determinadas “doenças físicas” tem maior prevalência de “doenças mentais”), como por exemplo as doenças cardiovasculares, as doenças autoimunes, a diabetes, entre muitos outros exemplos possíveis.

Felizmente vamos tendo cada vez mais dados de investigação que comprovam que as perturbações psiquiátricas levam alterações em múltiplos sistemas corporais e não apenas no cérebro (e não apenas a alterações nos neurotransmissores).

Olhemos para o caso da depressão (poderão ler mais sobre este tema aqui).

5908a2f185d53210113731.jpgDesde a antiguidade que ouvimos falar de depressão. Na Antiga Grécia, Hipócrates (o considerado pai da Medicina) colocava a hipótese que os estados de melancolia derivariam de excesso de bílis negra no fígado. E, de facto, a depressão continua a ser uma das doenças com maior magnitude e peso a nível global, sendo uma das principais causas de incapacidade a nível mundial. Estimativas de prevalência apontam para que 1 em cada 4 mulheres e 1 em cada 10 homens possam vir a ter um episódio depressivo ao longo da a sua vida.

Muito se tem evoluindo na compreensão desta doença, mas apesar dos inegáveis avanços ao longo do tempo, a sua causa é em muitos aspetos, desconhecida e controversa.

Tudo aponta para uma complexa interação entre vulnerabilidade genética, fatores do neurodesenvolvimento e fatores ambientais/ psicossociais; estes fatores poderão levar a modificações epigenéticas (mudanças na expressão dos genes); que por sua vez levarão a alterações a nível neuroquímico, neuroendócrino, neuroinflamatório, neuroestrutural e neurofuncional.

Longe está o tempo das conceptualizações mais simplistas como a hipótese das catecolaminas, proposta por Schildkraut em 1965, em que a depressão era explicada como uma simples deficiência de neurotransmissores na fenda sináptica (nomeadamente serotonina, noradrenalina ou dopamina).

O modelo biopsicossocial da depressão continua a ser de elevada relevância e atualidade e reflete a complexidade dos fatores causais biológicos (bio), psicológicos (psico) e sociais/ de contexto (social). Só com uma perspetiva integrativa e multidisciplinar se consegue avançar na investigação nesta área. A meu ver já não faz sentido verem-se aquelas guerras entre os “psiquiatras biológicos” (que achariam que tudo se resume a alterações químicas) e os “psicoterapeutas fundamentalistas” (que achariam que tudo se resume a mecanismos psicológicos explicados por determinada escola de psicoterapia) ou mesmo com certos grupos e movimentos antipsiquiatria (que achariam que as doenças mentais derivam apenas de pressão e manipulação social).

Apesar do puzzle da origem da depressão conter inúmeras peças, seguem-se, a título de exemplo, dez achados de investigação, consistentemente relatados, sobre a etiologia desta doença, com o objetivo de demonstrar a complexidade desta interação entre os fatores biológicos, psicológicos e sociais:

  • Vulnerabilidade genética: evidências robustas de estudos familiares e em gémeos demonstram que 30 a 40% do risco pode ser atribuível a fatores hereditários. Ter um familiar em 1º grau afetado aumenta o risco de depressão em 2 a 3 vezes.
  • Experiências adversas precoces: tudo aponta para que este fator ambiental em muito contribua para a etiologia das perturbações depressivas (dentro dos limites da vulnerabilidade genética). As experiências adversas precoces poderão ser de variados tipos, tendo tanto peso as situações de negligência como as de abuso.
  • Alterações observadas ao nível molecular: vários fatores moleculares forma implicados na fisiopatologia da depressão, nomeadamente: alterações de fatores neurotróficos e outros fatores de crescimento (que têm funções fundamentais em vários aspetos da neuroplasticidade e cujo stress crónico suprime a sua produção); alterações na regulação do sistema inflamatório, ao nível dos mediadores inflamatórios (citoquinas) e do eixo hipotálamo hipófise-suprarrenal (sistema que regula a inflamação e resposta ao stress a nível de todo o corpo).
  • Alterações observadas ao nível da neuroimagem: vários sistemas neuronais importantes, incluindo aqueles responsáveis pelo processamento e pela regulação das emoções, pela tomada de decisões assim como circuitos associados às sensações de recompensa e prazer, mostram alterações imagiológicas em pacientes com depressão.
  • Multiplicidade de fatores biológicos precipitantes: ao longo das décadas, tem-se verificado de forma consistente que uma grande variedade de doenças físicas, substâncias tóxicas, drogas ou medicamentos, estão relacionados com a indução de episódios depressivos (com efeito muito para além do que seria esperado em virtude apenas das alterações psicossociais a eles associadas).
  • Traços de personalidade que conferem vulnerabilidade: determinados traços de personalidade como o neuroticismo, o evitamento do dano (harm-avoidance), a tendência à autocrítica, assim como a presença de um temperamento predominantemente depressivo ou a inibição comportamental durante a infância, foram associados a um maior risco de episódios depressivos.
  • Fatores de stress psicossociais precipitantes: está também bem estabelecido, sobretudo nos primeiros episódios depressivos, que é comum verificarem-se fatores precipitantes ao nível psicossocial. Esta é a base do modelo diátese-stress da depressão, segundo o qual o individuo com determinados fatores de vulnerabilidade (diátese) quando exposto a um ou mais fatores de stress (por exemplo: desemprego, ruptura amorosa, morte de alguém próximo, etc.) irá desenvolver um episódio depressivo.
  • Situações precárias a nível de contexto social aumentam o risco: pessoas em situações de privação socioeconómica, em situações de isolamento ou com escassas redes de suporte social, apresentam um risco aumentado de vir a ter uma depressão.
  • Tratamentos biológicos com eficácia: a utilização de psicofármacos, sobretudo antidepressivos mas não só, tem mostrado eficácia no tratamento dos episódios depressivos. Também outros métodos como a eletroconvulsivoterapia, a estimulação magnética transcraniana, ou mesmo a suplementação nutricional (sendo a mais reconhecida feita com ácidos gordos ómega 3) são também estratégias eficazes.
  • Tratamento psicossociais com eficácia: várias abordagens psicoterapêuticas e outras estratégias como a meditação mindfulness ou o exercício físico têm mostrado eficácia (este últimos sobretudo como adjuvantes) no tratamento dos episódios depressivos.

Com estas 10 peças deste grande puzzle, sempre em crescimento e em constante interação, pretendeu-se demonstrar os avanços marcados na compreensão da depressão e a importância de uma abordagem integrativa.

A depressão é hoje em dia considerada uma doença do corpo, que afeta o sistema nervoso central, mas também vários outros sistemas espalhados por todo o nosso organismo (por exemplo: o sistema inflamatório/ imune, o sistema cardiovascular, o sistema hormonal, etc.). Cuja origem deriva de uma combinação de fatores internos (biológicos e psicológicos) em interação com fatores de contexto ou sociais. Por isso mesmo, os melhores tratamentos normalmente envolvem uma combinação de estratégias psicoterapêuticas, medicamentos (quando indicados) e alterações de estilo de vida.

Tal como na depressão a maioria das “doenças da cabeça” são também doenças “físicas”, sendo muito importante tratar a pessoa como “um todo”.

Espero que tenha sido útil esta reflexão.

Abraços

DG 2018.

 

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Feliz 2018

Seguem os melhores desejos para esta época festiva. Para alguns esta é uma altura de festa e afetos, para outros altura difícil… mas a mudança do ano lembra-nos que tudo é possível, que tudo está nas nossas mãos. Que guardem alguns desejos de ano novo para decidirem preocupar-se convosco e com os que lhes são mais queridos, para apostar em ter uma boa saúde mental e física – ingredientes indispensáveis para a felicidade.

Continuem por aí e eu continuo por aqui.

Uma boa entrada em 2018!

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2017 em Sem categoria

 

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Em modo de auto-reflexão

Keep Calm and Love PsychiatryHoje partilho convosco algumas reflexões sobre aquilo que é o meu dia a dia profissional.

Ser médico psiquiatra é algo que me transporta por emoções, histórias e caminhos sempre diferentes. Cada caso que sigo, cada pessoa que conheço, cada situação, leva-me a patamares de conhecimento (e autoconhecimento) pelos quais só posso estar grato.

Nas minhas consultas já vi e ouvi muita coisa. Este é, talvez, um dos maiores privilégios de trabalhar na área da saúde mental, a riqueza de histórias e de experiências a que temos acesso através das pessoas (e das famílias) que me consultam. Talvez isto se deva a um “atraso” na evolução da especialidade (ou não), mas muita da informação que preciso de recolher para tomar decisões médicas só é obtida num espaço de relação intimo entre paciente e terapeuta, para qual é necessário tempo e no qual há pouca interferência de máquinas, computadores ou exames.

Por vezes as situações são complicadas, por vezes são fáceis… Por vezes quase apetece pegar o paciente ao colo, enquanto outras vezes a pessoa que está à nossa frente desperta em nós sentimentos mais negativos… Claro que em qualquer dos casos o psiquiatra (ou qualquer outro terapeuta nesta área) se entrega, embora seja necessário criar o distanciamento emocional (na medida certa) que o doente precisa para se sentir seguro e à vontade na relação. Mas não duvidem que se sente muita coisa, e às vezes, depois de um dia de consultas parece-me que andei numa montanha russa de emoções.

Algumas situações resolvem-se numa consulta, outras precisam de seguimentos de anos. A diversidade é a norma na psiquiatria, daí a necessidade de flexibilidade mental e adaptação na forma de atuação, que faz a diferença entre um seguimento bem sucedido e um insucesso.

Por vezes sou recompensado com a melhor coisa que um médico pode querer… a pessoa melhora, os sintomas desaparecem, a doença fica controlada ou entra em remissão… sentir que se fez a diferença na vida de uma pessoa, que se evitou um suicídio, que o doente voltou a trabalhar, que este já consegue fazer coisas que não conseguia, que alterou comportamentos que o destruíam… é uma sensação maravilhosa!… Há, claro, o “outro lado da moeda”, casos que correm mal, que causam angústia ou em que me sinto impotente para ajudar a pessoa que tenho à frente. Como ser humano que sou… por vezes também falho. Mas tudo são aprendizagens. Afinal todo o caminho leva a algum lado e o acumular de experiências boas, más ou neutras, leva sempre a uma evolução pessoal (e mesmo científica).

Também (algumas vezes) há pessoas que sentem que devem dizer algo sobre o nosso processo terapêutico… recentemente a S., uma doente que conheci há uns anos e cujo o processo foi demorado e cheio de desafios enviou-me o email que transcrevo abaixo (com omissões de dados que a poderiam identificar). Foi um seguimento difícil, com altos e baixos, mas que com um trabalho em equipa entre psiquiatra, psicoterapeuta, família e… claro, a própria, se conseguiu dar “a volta por cima” (algo que nem ela, nem infelizmente outros terapeutas anteriores achavam que fosse possível). A S. concordou que partilhasse o seu testemunho, até porque quando o li achei que poderia servir como uma mensagem de esperança para todos os pacientes que estão a passar por situações difíceis ao nível da sua Saúde Mental.

“Antes de mais peço desculpa por não ter dito nada mais cedo, mas acho que tinha medo de deitar foguetes antes da festa, como se costuma dizer. Após ter falado com o Dr Diogo em novembro, deixei toda a medicação no dia 30 de janeiro deste ano. Foi difícil, pois obviamente tinha receio do que poderia acontecer. Foram muitos anos a tomar medicamentos, mais precisamente 6 anos e nunca pensei que fosse possível deixar, mas enganei-me.

Passados 7 meses estou melhor que nunca, não tenho problemas em dormir, não tenho variações de humor, não tenho qualquer tipo de pensamentos negativos como tinha antes, enfim pareço uma pessoa nova. Quero acreditar que foi só uma fase.

Tenho um trabalho bom, tenho a minha casa, uma relação estável e até tenho um gato. Cada vez penso mais em mim e no meu futuro, especialmente a nível profissional.

Estou muito bem, a nível psicológico estou fantástica, mal me reconheço e estou muito orgulhosa de mim e do que construí, mas nada disto seria possível sem vocês! Um obrigada é pouco! Obrigada por nunca desistirem de mim, por terem estado sempre do meu lado e acima de tudo por terem acreditado em mim!

Tinha de partilhar convosco as minhas conquistas, tive uma má fase mas conseguimos! Agora estou a olhar por mim e pelo meu futuro, espero conseguir grandes feitos e daqui a uns 5 anos começar a ter a família que sempre quis, mas não agora, agora estou a aprender quem sou e estou a adorar!

Mais uma vez obrigada por tudo, do fundo do coração, OBRIGADA!”

Eu é que agradeço a todos os meus pacientes, pela motivação e aprendizagens constantes. Todos os dias com novos desafios, gosto de fazer o que faço, dá-me significado.

Abraços a todos,

DG 2017

 

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10/10 – Dia Internacional da Saúde Mental

Hoje celebra-se o dia Internacional da Saúde Mental, que tem como objetivo consciencializar sobre os problemas de saúde mental e mobilizar esforços para que todos tenhamos uma melhor saúde mental.

A organização Mundial de Saúde dedica este dia ao tema da saúde mental no local de trabalho (ver: http://www.who.int/mental_health/world-mental-health-day/2017/en/).

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Ao longo da nossa vida adulta, uma grande parte do nosso tempo é gasta no trabalho. A nossa experiência no local de trabalho é um dos fatores que determinam nosso bem-estar geral. Os empregadores e empresas que implementam iniciativas no local de trabalho para promover a saúde mental e para apoiar os funcionários com doenças mentais têm ganhos não apenas na saúde dos seus funcionários, mas também na produtividade do trabalho. Um ambiente de trabalho negativo, por outro lado, pode levar a problemas de saúde física e mental, uso lesivo de substâncias ou álcool, absenteísmo e perda de produtividade.  A depressão e as perturbações de ansiedade são doenças mentais comuns que têm um impacto sobre a nossa capacidade e, nomeadamente, para trabalhar de forma produtiva.

Globalmente, mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, principal causa de incapacidade a nível global. Mais de 260 milhões vivem com perturbações de ansiedade. Muitas dessas pessoas vivem com ambos. Um recente estudo liderado pela OMS estima que depressão e as perturbações de ansiedade custam à economia global 1 trilião de dólares por ano em perda de produtividade.

DG 2017

 

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