Guerras

Guerras

Não é apenas a violência que me inquieta, mas a desumanização que a antecede.

As guerras não começam com bombas. Começam de forma mais subtil, com expressões como: “Eles… essa gente… não são como nós”.

Quando o outro deixa de ser uma pessoa e passa a ser um rótulo, a empatia diminui. E sem empatia, quase tudo se torna justificável.

A polarização dá uma sensação confortável de certeza moral.

Mas excesso de certezas, leva a simplificações e generalizações. Ter muitas certezas não é inteligência: é estupidez!

São os homens com muitas certezas que carregam nos gatilhos. Que não pensam duas vezes na dor que podem provocar. Sem questionar, repetem frases como: “Nós temos a razão e os outros são os maus”. 

Normalizar violência, mesmo que “só” verbal ou psicológica, tem um custo. Viver num ambiente constantemente hostil, agressivo e indignado corrói a saúde mental, as relações e a empatia.

O problema não é discordarmos. É deixarmos de reconhecer humanidade no outro.

Porque, quando isso acontece, a guerra já começou: mesmo que ainda não haja tiros.

Abraço 

Diogo Guerreiro 

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Eu sou o Diogo

Bem-vindo ao Reflexões de um Psiquiatra, o meu canto na galáxia da internet, desde 2013. Aqui falo sobre saúde mental, sobre o quotidiano, sobre crises e alegrias. Vou partilhando alguns dos meus pensamentos e tento desmistificar alguns temas da saúde e da doença mental. Sou Médico Psiquiatra, mas também escritor, investigador, pai e marido.

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