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Filme: A metamorfose dos pássaros

Fui ontem ver o filme “A metamorfose dos pássaros”, realizado por Catarina Vasconcelos – candidato português ao óscar de melhor filme estrangeiro. É um filme muito diferente do habitual, com uma abordagem em que mais me parecia estar a ler poesia.

É-me difícil descrever como este filme me tocou. Esteticamente é uma obra de elevada originalidade e delicadeza, que nos toca muito para além daquilo que os olhos observam. A sua riqueza simbólica, assim como a aposta na metáfora como forma de comunicação, coloca o espectador num contacto constante com a sua mente emocional, moldando o que se passa no ecrã às suas próprias vivências. A mim fez-me lembrar os meus avós e percorrer alguns dos locais da minha infância. Acredito que a cada um evoque sensações e lembranças diferentes.

Muito do trabalho em psiquiatra e psicoterapia é aceder a esta parte emocional, assim como perceber as narrativas no modo único que cada pessoa as sente. Mesmo que isto tenha pouco a ver com o que objetivamente se passou. Muitas vezes lidamos com a perda e com os processos de luto que daí decorrem. E muitas vezes é difícil criar um sentido de algo que parece tão pouco racional. Nestes casos, algo essencial é deixar as emoções emergirem, algo que evitamos frequentemente no nosso dia-a-dia… por vezes é preciso inventar para superar, tal como a mensagem principal do filme “Aquilo que o ser humano não consegue explicar, inventa”.

Recomendo muito este filme! Se ainda o apanharem no cinema não percam a oportunidade.

Abraços

DG 2021

 

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Tempestades emocionais

“E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido” Haruki Murakami, in ‘Kafka à Beira-Mar

Diariamente ouço histórias de solidão, de saturação e de preocupação com o futuro.

Estamos cansados, pudera. Só queremos saber quando isto acaba, quando podemos voltar à nossa vida.

Vejo que valorizamos coisas simples, tomar um café na rua, beber um copo com um amigo, sossegar num jardim público, levar as crianças a andar de baloiço… por um lado, esta pandemia, levou-nos a por as nossas prioridades em ordem. Por outro, é uma tempestade emocional.

Quem sabe, quando sairmos disto, se nos tornaremos melhores pessoas? Mais focados no nosso eu verdadeiro, mais solidários, mais presentes na nossa única vida…

Gosto de pensar que sim.

Diogo Guerreiro

 

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Dias negros que vivemos

O vírus não se importa se estamos fartos dele, se perdemos a paciência, se estamos cansados. E a verdade é que estamos.

Há quase um ano que a Covid-19 nos limita a vida, nos assusta, nos tira o sono, nos cria ansiedade sobre o que acontecerá no futuro. Porventura alguns já terão tido alguns sustos de saúde relacionados com o vírus e, tragicamente, alguns já terão perdido alguém para esta pandemia.

Os números atuais são assustadores. As descrições dos meus colegas da linha da frente são aterrorizadoras. O desespero, o cansaço, sente-se a revolta por darem o seu melhor e nunca ser suficiente. A meu ver, os profissionais de saúde são neste momento os heróis desta situação pandémica… mas custa ver o quão mal tratados são. Quando alguns não cumprem as recomendações e contribuem para agravar as situações impossíveis nos hospitais, achando que os recursos são ilimitados e que todos os profissionais são super-homens e super-mulheres, não imaginam o mal trato que é isto. Os médicos, os enfermeiros, os auxiliares, os técnicos, são humanos como nós! Sofrem com o que vêem, com a pressão a que estão sujeitos, com a catástrofe a que assistem, deixaram de ter férias, pausas, tempos de descanso. Não é possível pedir-lhes mais!

Estamos todos cansados… exaustos… mas o vírus não.

A sensação de “fadiga pandémica” é algo já bem compreendido, que leva a que as pessoas se desleixem nos cuidados que deveriam ter, na preocupação com os outros e, em casos extremos, poderá levar à negação do problema de uma forma irracional. Mas mesmo que neguemos o vírus ele não nos nega a nós, lamento informar.

É crucial nesta fase tomar conta da nossa saúde mental. Só com a cabeça no sítio podemos lidar com este desafio. Já em Março do ano passado achei que isto seria algo muito importante e… contínuo a achar. Neste post “Cuidar da nossa Saúde Mental no tempo do Coronavírus” têm acesso a algumas dicas que sistematizei nesse sentido.

De facto, para além de cuidar da nossa saúde (física e mental), a única coisa que podemos fazer para contribuir para a luta contra a covid é cumprir as regras de saúde pública, por mais que isto nos custe ou nos canse. Só assim, num grande esforço conjunto e solidário, podemos baixar as taxas de infecção, prevenir a mortalidade e ajudar os nossos profissionais de saúde.

Todas as escolhas têm consequências. Pense bem antes de ignorar as medidas de prevenção contra o coronavírus. Proteja-se a si e aos outros! 🧠💪

Diogo Guerreiro

Médico Psiquiatra

#stopCovid19 #AfastamentoFísico #UsodeMáscara #HigienizaçãodasMãos #EtiquetaRespiratória #Sejaresponsável #FIQUEEMCASA

 

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Novas tecnologias e psicopatologia

Recentemente pediram-me para falar sobre o tema “novas tecnologias e psicopatologia“, nas jornadas de Psiquiatria do Hospital Garcia de Orta. Realmente é um tema muito atual, desafiante, mas também extremamente complexo e extenso… Só refletir no que são “novas tecnologias” me deixou intrigado. Tanto como estudar a sua relação com a saúde (ou, neste caso, a doença) mental. Mas aceitei o desafio e lá estive esta semana a apresentar algumas coisas que estudei.

Novas tecnologias vs cérebro velho

As grandes conclusões são que as novas tecnologias são parte integrante do ecossistema em que os seres humanos habitam e que, sem dúvida, influenciam o nosso cérebro… talvez mesmo ao ponto de o eventualmente modificar! Que apesar das “novas tecnologias” estarem ainda a “anos-luz” das maravilhas que o nosso cérebro consegue fazer, elas evoluem a um ritmo impressionante e, é verdade, que o nosso “velho cérebro” (que demorou muitos milhões de anos a evoluir para a forma como se encontra hoje) poderá ter algumas dificuldades em se adaptar às mesmas.

Mas, na realidade, como em tudo o que se passa na nossa vida, o risco de “as novas tecnologias” nos deixarem “doentes” depende da forma como são utilizadas e dos mecanismos que utilizamos para nos defendermos. E que, aparentemente (digo isto porque não houve ainda tempo suficiente para responder a todas as questões), as “novas tecnologias” tanto podem trazer benefícios como malefícios.

Gostaria também de partilhar este conhecimento com os leitores do blog e da página de facebook. Portanto, aqui fica a apresentação, esperando que gostem e que vos seja útil para refletir sobre esta temática.

A pensar e a refletir.

DG 2019

 

 

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Boas festas

Desejo a todos um Feliz Natal e uma ótima entrada em 2019. Com paz, serenidade, afetos e partilha.

Até breve e obrigado por estarem aí.

DG 2018

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Publicado por em 21 de Dezembro de 2018 em Natal

 

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Possibilidades…

“É possível mudar?”. Perguntou-me ontem um paciente, “Sim, é, desde que arrisque a mudar”.

 

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A propósito do dia de S. Valentim

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“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”
Antoine de Saint-Exupéry

Alguma “ciência sobre o amor” diretamente desde a Austrália: https://blogs.unimelb.edu.au/sciencecommunication/2012/08/24/some-love-science/

 
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Publicado por em 15 de Fevereiro de 2018 em Felicidade, Reflexão geral

 

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Feliz 2018

Seguem os melhores desejos para esta época festiva. Para alguns esta é uma altura de festa e afetos, para outros altura difícil… mas a mudança do ano lembra-nos que tudo é possível, que tudo está nas nossas mãos. Que guardem alguns desejos de ano novo para decidirem preocupar-se convosco e com os que lhes são mais queridos, para apostar em ter uma boa saúde mental e física – ingredientes indispensáveis para a felicidade.

Continuem por aí e eu continuo por aqui.

Uma boa entrada em 2018!

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2017 em Sem categoria

 

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Recomeços

“Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco” – Sophia de Mello Breyner Andresen

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É incrível, mas já passaram 6 meses desde a última vez que escrevi aqui neste meu “cantinho”… não porque perdi interesse, não porque deixei de ter ideias, não por ter deixado de acreditar que isto é útil (para mim e eventualmente para outros)… mas simplesmente porque quando baixamos a guarda, estes nossos invisíveis inimigos – o “dia a dia”, o trabalho, o stress, as corridas do quotidiano – apoderam-se do nosso tempo.

O acto de escrever é para mim também um de reflexão. Preciso de tempo, disponibilidade mental (por vezes bem mais difícil que o tal tempo cronológico)… minutos ou horas ou dias para simplesmente contemplar, pensar, integrar e, por fim, expressar.

Estes últimos meses foram desafiantes, profissionalmente e pessoalmente. Mas acredito profundamente em recomeços, nas “bonanças que seguem a tempestade”, no crescimento pessoal que advém das dificuldades com que nos deparamos.

Por isso, depois de ir de Férias (e está quase!), fica este compromisso para comigo (e também para com os leitores) de continuar e escrever estas minhas reflexões.

Até breve!
Abraços

Diogo Guerreiro

PS: Entretanto tenho mantido alguma atividade na página de facebook do “reflexões de um psiquiatra”, que vos convido a espreitarem: https://www.facebook.com/ReflexoesDeUmPsiquiatra

 
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Publicado por em 2 de Agosto de 2017 em Reflexão geral

 

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Divulgação: Petição “Orçamento e respostas para a Saúde Mental”

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Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição: «URGENTE – Orçamento e respostas para a Saúde Mental» no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT83322

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação para os vossos contactos.

Obrigado.

DG 2016

 

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