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10 Outubro: Dia Mundial da Saúde Mental

Dia 10 de Outubro é o dia Mundial da Saúde Mental. Ao longo dos anos este dia tem tido o propósito de chamar a atenção da comunidade para vários aspetos da nossa saúde mental, sendo que este ano o tema é “os jovens e a saúde mental num mundo em mudança”. A este propósito convido a visita à pagina da Organização Mundial da Saúde, onde poderão aprofundar mais este tema: http://www.who.int/mental_health/world-mental-health-day/2018/en/

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a Saúde Mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“. Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspeto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspetiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Já anteriormente escrevi um post sobre promoção e prevenção das doenças mentais que pode ser aqui consultado. Mas nunca é demais chamar a atenção para coisas simples que todos nós podemos fazer para melhorar a nossa saúde mental e para prevenir situações mais complicadas no futuro… Aliás este tema foi relevado numa revisão muito recente (de 2018), na prestigiada revista Lancet Psychiatry (se tiverem a possibilidade leiam este artigo que é muito interessante), focando estratégias preventivas ao longo das várias alturas da nossa vida (desde antes do nascimento, até ao início da vida adulta).

Deixo-vos com uma pequena síntese das estratégias preventivas gerais (existem outras para grupos de risco, mas isto fica para outro post), baseadas na evidência científica atual, ao longo do nosso ciclo de vida.

Durante a gravidez e período pós-parto:

  • Boa nutrição
  • Vigilância adequada da gravidez e bons cuidados no parto
  • Promoção de uma boa vinculação entre progenitores e o recém-nascido

Durante a infância e adolescência:

  • Estimulação adequada à idade
  • Refeições (e tempo) em família
  • Treino de estratégias de resiliência
  • Bom clima escolar e familiar
  • Intervenções contra o bullying e outros tipos de violência
  • Boa nutrição
  • Exercício físico regular
  • Bons hábitos de sono
  • Prevenção de abuso de substâncias

Durante a vida adulta:

  • Boa nutrição
  • Exercício físico regular
  • Estratégias de redução de stress crónico
  • Bons hábitos de sono
  • Promoção de redes de suporte social e familiar (prevenir o isolamento)
  • Facilitar o reconhecimento precoce da doença mental e seu tratamento

Em todas as alturas do ciclo de vida:

  • Reduzir as iniquidades sociais e prevenir o desemprego
  • Melhorar a educação e os cuidados na infância
  • Reduzir o estigma associado à doença mental
  • Aumentar a consciencialização da sociedade e dos profissionais de saúde

Que todos tenhamos um bom dia e sempre promovendo a nossa saúde mental.

DG 2018

 

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O mito do “Multitasking”

Vivemos dias agitados… mais do que nunca somos inundados por informação, pseudo-informação, fatos e mitos… publicidade. Mais do que em algum tempo na história do Homem, se pretende que jovens e adultos (e mesmo crianças e idosos!), acompanhem o “ritmo das coisas”. Um ritmo impossível, uma velocidade de informação, de processamento, para o qual o nosso cérebro não está preparado para acompanhar.

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Hoje em dia temos telefones que mais parecem canivetes suíços, com uma aplicação para dormir, outra para controlar o movimento, uma calculadora, o email, o browser da internet, as redes sociais, as contas bancárias, etc. etc… Um símbolo daquilo que se quer para as pessoas nesta sociedade: que se adaptem, que façam tudo, simultaneamente, sem erros e rápido… Temos nas palmas das nossas mãos computadores que são mais rápidos que aqueles que existiam na sede de grandes empresas na área da informática há 3 décadas atrás. Há alguns anos tínhamos agentes de viagem que nos marcavam viagens, vendedores em lojas de pequeno comércio que nos ajudavam a escolher produtos, funcionários dos bancos que geriam as nossas contas… Hoje é esperado que cada um faça tudo, que aprenda tudo, que saiba tudo… Até em certos restaurantes de fast food já é possível termos uma refeição sem falar com absolutamente ninguém: os sistemas “smart-whatever”. E, para além de se exigir que tudo se saiba, que tudo se faça só, parece que é alguma espécie de deficiência fazer uma coisa de cada vez.

Ir de um lado para o outro deverá ser preenchido por ver os emails, consultar as redes sociais, fechar um negócio. O jantar em família aproveitado para ver as últimas noticias. Para o “verdadeiro profissional” é absoluta a necessidade de no fim de semana, nas férias, na doença, estar sempre “contactável”… e idealmente deverá estar na praia ou na audição musical dos seus filhos a enviar emails para clientes importantes.

Mas será isto minimamente eficaz, produtivo, inteligente ou mesmo… “smart”?

Vários estudos na área das neurociências, demonstram de várias formas, que o nosso cérebro não se adapta a este esquema… Ainda bem, não somos computadores! Na realidade o nosso cérebro nunca faz multitasking… apenas fracciona a capacidade de atenção e vai mudando o foco rapidamente de uma tarefa para a outra. E quando queremos levar isto ao exagero, basicamente levamos o cérebro à exaustão… perdemos capacidade, produtividade (essa palavra tão importante do séc. XXI).

É verdade que o nosso cérebro se adapta ao ambiente, que talvez no futuro seja uma realidade que o ser humano consiga fazer “multi-tarefas”, mas este tipo de evolução leva milhares de anos, um ritmo que não se compara a qualquer das evoluções e exigências dos dias de hoje.

Em suma, uma boa forma de prevenir a exaustão, a ansiedade e o stress, é não exigir do nosso corpo (que para os mais distraídos, inclui o cérebro) mais do que aquilo para que está preparado… é que nos computadores podemos mudar o processador, conseguimos por memórias RAM nos tablets… mas connosco – seres humanos – isso não é bem assim. A nossa capacidade de atenção não funciona simultaneamente e de forma dispersa; até mesmo o gozo de completar uma tarefa não acontece da mesma maneira quando se tenta “fazer tudo ao mesmo tempo”.

Uma sugestão de leitura (não sei se há edição portuguesa de Portugal): A mente organizada – Daniel Levitin .

Um abraço e bom Fim de Semana, a aproveitar as coisas, uma de cada vez…

DG 2016

 

 

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Livro: Silêncio por Susan Cain

Susan CainJá há muito tempo que estou para recomendar este livro, “Silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não para de falar”; da autora norte americana Susan Cain. Trata-se de uma obra de fácil leitura, em que são focados os aspetos da introversão vs extroversão e em que se faz uma desconstrução do “ideal extrovertido”… Existem mesmo pessoas que são mais introvertidas (e isto tem as suas vantagens e desvantagens) e outras que são mais extrovertidas (e isto também tem as suas vantagens e desvantagens).

Muitas vezes, na prática clinica deparamos-nos com introvertidos que sentem que há algo de errado com eles, porque todos falam mais que eles, porque todos gostam de festas, porque estar em multidões é que é bom… E isso é muito a mensagem que é transmitida pelos media… mas que não podia ser mais incorreta. Ser introvertido não é problema nenhum! Ser introvertido não é sofrer de fobia social ou estar deprimido; também como muitos vezes é sugerido por familiares preocupados… “Dr. ele gosta de ficar no quarto a ler, enquanto os amigos gostam é de estar em festas”… O livro da Susan Cain relata tudo isto muito bem e é uma leitura que recomendo para todos os que queiram compreender melhor este mundo dos introvertidos.

Fica aqui a sinopse:

Pelo menos um terço das pessoas que conhecemos é introvertido. Estas pessoas são as que preferem ouvir a falar, ler a socializar; que inovam e criam, mas não gostam de se autopromover; que privilegiam o trabalho solitário às sessões de brainstorming coletivo. Embora seja habitual rotulá-los de «silenciosos», é aos introvertidos que devemos muitos dos grandes contributos para a sociedade – dos girassóis de Van Gogh à invenção do computador pessoal. Esta investigação notável e recheada de histórias pessoais inesquecíveis demonstra até que ponto se subestima a introversão, e como essa atitude conduz ao menosprezo de enormes talentos. Susan Cain documenta a ascensão do «Ideal do Extrovertido» no século xx e explica o alcance deste fenómeno. Questiona os valores dominantes da cultura empresarial americana, onde o hábito do trabalho em equipa pode matar a criatividade, e onde o potencial de liderança dos introvertidos costuma ser desperdiçado. E recorreu aos dados da investigação mais recente em psicologia e neurociência para revelar as diferenças surpreendentes entre extrovertidos e introvertidos. Para que não restem dúvidas, conta-nos a história de introvertidos célebres como Lewis Carroll, Gandhi, Albert Einstein, Eleanor Roosevelt e Al Gore. Este livro extraordinário mudará em definitivo a maneira como vemos os introvertidos e, não menos importante, a forma como os introvertidos se veem a si próprios.

Um abraço e boas leituras.

DG 2015

 

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Por trás da porta amarela… uma história de doença mental

yellow-house-jpgUma paciente minha enviou-me este texto, que não conhecia: “Por trás da porta amarela, há um homem com problemas psicológicos“. Trata-se de um texto, publicado no jornal Público (também no The Washington Post) e escrito por Stephanie McCrummen.

É a história de um homem de meia idade, que sofre (muito provavelmente) de uma psicose, que lentamente destrói a sua vida e o afasta da família. Fala das dificuldades em lidar com este tipo de situação e como, muitas vezes, a sociedade não apresenta respostas adequadas para estes doentes.

Ninguém sabe o que ele está a fazer. Ninguém sabe em que é que pensa, o que come ou como sobrevive. Em dois anos, desde que a sua mulher em pânico levou os dois filhos e o deixou ali sozinho, nunca falou com ninguém mais do que alguns minutos. Não deixou ninguém passar da porta, que fortificou com uma nova fechadura, um bocado de plástico a tapar o vidro e contraplacado por baixo, que pintou de um amarelo quase fluorescente. Tem sempre as cortinas da sala corridas.

O homem da casa — que tem 42 anos, já chegou a ganhar um salário de seis dígitos trabalhando para o Capitol Hill e era um marido e pai dedicado — diz aos pais que não está doente. Tanto quanto sabem, deixou de tomar os medicamentos psiquiátricos que lhe foram receitados depois de ter contado à polícia que Deus falava através do seu filho de três anos. Abandonou o emprego e deixou de pagar as contas. A família não sabe o que fazer.

Aconselho vivamente para todos os interessados neste tema. Aqui fica o link para o texto completo: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/por-tras-da-porta-amarela-ha-um-homem-com-problemas-psicologicos-1662325.

DG 2014

 

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O que é a Saúde Mental?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspecto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspectiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Saúde-Mental

Porque é isto importante?

A OMS publicou recentemente um relatório sobre a importância de investimento na saúde mental. No relatório “Investing in Mental Health – Evidence for action”, a OMS explora os conceitos de saúde mental, qual a sua importância para a vida humana como um direito fundamental, e quais as direções que os governos podem seguir no sentido de alterar as políticas públicas.

“A saúde mental e o bem-estar são fundamentais para nossa capacidade coletiva e individual, como seres humanos de pensar, sentir, interagir uns com os outros, ganhar e aproveitar a vida. No entanto, atualmente a formação do capital mental individual e coletivo – especialmente nos estágios iniciais da vida – está a ser retido por uma série de riscos evitáveis ​​para a saúde mental, enquanto os indivíduos com problemas de saúde mental são desprezados, discriminados e negados direitos básicos, inclusive acesso aos cuidados essenciais.

Neste relatório, as razões potenciais para esta aparente contradição entre os valores humanos e ações sociais observados são explorados com vista a uma melhor formulação de medidas concretas que os governos e outras partes interessadas podem tomar para reformular as atitudes sociais e políticas públicas em torno da saúde mental.”

A pensar… a agir… de forma urgente!

Cumprimentos para todos

DG 2014

 

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A culpa não é sempre da Mãe… Obviamente que não!

Ainda não consegui voltar ao ritmo aqui no blogue… com tantas pontas soltas e coisas pendentes, tenho andado um autêntico “escravo do tempo”!

culpa nao e sempre da maeNo entanto, não queria deixar de publicamente agradecer à Sónia Morais Santos, jornalista e veterana da blogosfera, a simpática dedicatória que me fez e dar os parabéns pelo seu recém publicado livro “A Culpa não é sempre da Mãe!“. 

Aqui há uns tempos falámos um pouco sobre adolescentes e, claro, sobre como as mães (e os pais) muitas vezes se sentem culpados por tudo (ou por nada) do que fazem/ dizem (ou que não fazem/ dizem) com os seus filhos adolescentes. Nesta nossa sociedade, em que a pressão para a perfeição é enorme, assim como a tendência para os pais se “anularem” para tudo dar aos filhos (menos a capacidade para tolerar as frustrações), este livro bem humorado e com relatos na primeira pessoa, assim como com relatos de técnicos de saúde, vem em boa hora.

Já comecei a ler e posso dizer que até agora estou a gostar bastante.

Agora aguardo ansiosamente o complemento “A culpa não é sempre do Pai”. 🙂

E já agora… se o Benfica perder hoje obviamente que a culpa não é da Mãe… Agora se é do governo, da UEFA, ou da “maldição do Bella Gutman”, isso agora não sei!

Boas leituras e até breve!

 

PS: Deixo a sinopse do livro para os interessados.

maeÉ tão certo como dois e dois serem quatro, como a noite vir a seguir ao dia, como o Natal ser a 25 de dezembro. Mãe que é mãe sente culpa. Culpa do que fez e do que não fez e podia ter feito. Culpa com fundamento e sem fundamento. Culpa por ter gritado, por ter chegado demasiado tarde a casa, culpa por aquela palmada, culpa por não ter lido a história para o filho adormecer, culpa porque perdeu as estribeiras quando ajudava os miúdos com os trabalhos de casa, culpa porque discutiu com o marido à frente das crianças, culpa por aquela perna partida do mais novo que aconteceu quando nem sequer estava presente (mas devia ter estado presente, claro, se estivesse presente a perna estava inteirinha, logo a culpa é só sua!) Revê-se nisto? Já o sentiu? Fez um certo em todas as situações referidas ou em quase todas? Então este livro é para si. Culpa, culpa, culpa. Porque é que somos tão duras connosco? Porque é que achamos que tudo é da nossa responsabilidade? Para quê insistir em sermos perfeitas quando a perfeição não existe?»Com base em relatos de diversas mães, recorrendo à análise de psicólogos, pediatras, e com a experiência de 12 culposos anos de maternidade, a jornalista Sónia Morais Santos, mãe de três crianças, traz-nos “A Culpa não é sempre da Mãe”! Um livro bem-humorado da autora do blogue «Cocó na Fralda», onde as leitoras se vão comover com algumas histórias, identificar-se com outras tantas situações, gozar consigo próprias, pensar sobre a maternidade e rir-se à gargalhada com situações por que todas nós já passámos. Porque a maternidade não é uma competição. Porque as mães não são super-heroínas, apenas mães e como todas nós sabemos… Não há mães perfeitas!

 

 

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Vídeo

“A Solitary World” — uma homenagem cinemática a H.G. Wells

Gostava de partilhar com os leitores do blog esta peça de poesia cinematográfica. Infelizmente não tem ainda legendas em português.

Esta curta metragem, realizada por James W. Griffiths, apresenta uma narrativa baseada em várias obras de H.G. Wells (1866 -1946). Este é um dos mais famosos autores do campo da ficção científica, sendo autor de livros tão conhecidos como: A máquina do tempo (1895); A ilha do Dr. Moreau (1896) ou a Guerra dos Mundos (1898).

Este filme é um misto de sonhos, encantamento, magia; descreve a procura de equilibrio entre o contacto humano e a necessidade de solidão. É deslumbrante e aconselho vivamente… Infelizmente os últimos minutos estragam a “boa onda”, portanto quando chegarem a essa parte parem o filme. 😉

O que acham?

Abraços e boa semana

DG 2014

 
1 Comentário

Publicado por em 5 de Março de 2014 em Comportamento humano, Leituras

 

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