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Arquivo da Categoria: Demências

Exercício fisico e Saúde Mental

Uma Ted Talk interessantíssima sobre o poder do exercício fisíco na nossa Saúde Mental, pela Neurocientista Wendy Suzuki (com legendas em Português).

“E se vos disser que há algo que podem fazer agora mesmo que teria um efeito positivo imediato no vosso cérebro inclusive no vosso humor e concentração? E se vos disser que isso pode durar imenso tempo e proteger o cérebro de diferentes doenças como depressão, Alzheimer ou demência. Fariam isso? Sim!

Estou a falar dos poderosos efeitos da atividade física. Basta movimentar o corpo para obter benefícios imediatos, protetores e duradouros no cérebro. E podem durar o resto da vida.”

 

Outras dicas sobre como cuidar do nosso cérebro podem ser vistas aqui: “Já fez exercício cerebral hoje?”

A ver e a praticar!

Abraços
DG 2018

 

 

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Um dos Mitos da Psiquiatria

A meu ver um dos maiores mitos (ideias falsas) na Psiquiatria é o seguinte:

Os diagnósticos em Psiquiatria são apenas etiquetas para comportamentos normais.

Para quem nunca lidou com alguém com uma doença mental (como amigo, familiar ou mesmo técnico) pode parecer que determinados sintomas psicopatológicos são muito semelhantes a emoções ou comportamentos normais.

Por exemplo, como traçar a linha entre a tristeza normal e a patológica, ou quando é que falamos de timidez ou de ansiedade social, ou quando é que a organização se torna uma compulsão?

No entanto, tal como a diferença entre um tumor benigno e um cancro, os sintomas na perturbação mental são bem diferentes das emoções ou comportamentos “normais”. Habitualmente, quando determinada emoção ou comportamento se torna debilitante ao ponto do paciente não conseguir funcionar do ponto de vista profissional, social ou familiar, estamos muito provavelmente perante uma doença mental.

O diagnóstico (a “etiqueta”), apesar de todas as limitações que bem conhecemos, torna-se nestes casos particularmente importante por várias razões:

  • para o próprio paciente saber com o que está a lidar;
  • para os técnicos intervirem da melhor forma e de acordo com o que se sabe do ponto de vista científico para esse diagnóstico;
  • também para a evolução da ciência, pois é necessário que os investigadores falem uma linguagem comum para compararem resultados e discutirem as possíveis linhas de investigação.

Os problemas de saúde mental (ou doenças psiquiátricas) são muito frequentes. Na verdade, quase 1 em cada 5 portugueses terão um problema de saúde mental diagnosticável ao longo da sua vida, de acordo com os dados da Direção Geral de Saúde.

Felizmente, hoje em dia, há vários tratamentos eficazes, quer em termos medicamentosos, mas também várias psicoterapias e intervenções ao nível do estilo de vida (como a prática de exercício físico, a meditação e intervenções nutricionais).

Daí a importância de um diagnóstico precoce, pois o prognóstico das doenças psiquiátricas é muito melhor quando acompanhadas desde cedo, podendo levar à remissão total dos sintomas e à prevenção das consequências terríveis de uma doença mental não tratada (como por exemplo a incapacidade profissional, o corte de relações sociais ou familiares, ou, em casos extremos, o suicídio).

DG 2018

PS: Se quiser conhecer outros mitos carregue neste link.

 

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Ai a minha memória!… Algumas dicas sobre Défice Cognitivo Ligeiro

Saiu este mês uma artigo científico importante relacionado com a temática do Défice Cognitivo Ligeiro:Practice guideline update summary: Mild cognitive impairment. Report of the Guideline Development, Dissemination, and Implementation Subcommittee of the American Academy of Neurology” (disponível de forma integral aqui) Este estudo focou-se nas questões de prevalência, transição para demência e eficácia das várias intervenções (farmacológicas e não farmacológicas).

Sobre isto, deixo algumas informações em forma de perguntas e respostas.

the-persistence-of-memory.jpg

Salvador Dalí – A Persistência da Memória (1931)

Antes de mais, o que é o Défice Cognitivo Ligeiro (DCL)?

O DCL é uma condição em que o indivíduo apresenta declínio de uma ou mais funções cognitivas (como por exemplo: memória, linguagem, atenção, planeamento executivo, etc.), mas com consequências mínimas para a sua vivência diária. Para o seu diagnóstico é necessário a presença de queixas subjetivas, mas também de uma avaliação objetiva, preferencialmente através de uma avaliação neuropsicológica (que nos dá indicação da extensão do défice e das áreas afetadas).

Porque é que isto interessa?

O DCL pode ser uma forma de apresentação precoce de uma demência (como por exemplo: doença de Alzheimer), embora também possa ser secundário a várias patologias neurológicas, psiquiátricas, doenças sistémicas ou mesmo, a efeitos adversos de certos medicamentos.

Quando não se deteta nenhuma causa secundária que se possa tratar (e isto já é muito importante pois a tendência destes casos é para o agravamento), sabemos que pacientes com DCL são um importante grupo de risco para quadros de demência (situação de défice cognitivo grave, em que a vida diária fica profundamente afetada e, na maioria dos casos, de forma irreversível).

É comum?
Sim. Aumentando a frequência com a idade e sendo mais comum em pessoas com menor grau educacional. Este estudo agrupou vários dados e chegou à seguinte estimativa de prevalência:

  • 60–64 anos: 6.7%
  • 65–69 anos: 8.4%
  • 70–74 anos: 10.1%
  • 75–79 anos: 14.8%
  • 80–84 anos: 25.2%

E quantos casos evoluem efetivamente para demências?

Segundo os dados deste estudo, todos os pacientes com diagnóstico de DCL tem um maior risco de progressão para demência que pessoas com a mesma idade e sem este diagnóstico. Cerca de 15% dos indivíduos com mais de 65 anos e DCL, no espaço de seguimento de 2 anos, evoluíram para um quadro demencial. Apresentando um risco relativo de demência (incluindo doença de Alzheimer) cerca de 3x superior às pessoas sem DCL.

No entanto, alguns casos revertem (ao contrário do que acontece nas demências), ficando sem padrão de défice cognitivo, tendo sido estimado que isto acontece entre 14 a 50% das pessoas.

Infelizmente, apesar de muitos desenvolvimentos na investigação nesta área, ainda não existem biomarcadores que possam prever com precisão quais os doentes que irão evoluir para demência (pelo que análises ou exames de imagem ainda não são úteis para este efeito).

E afinal, o que pode ajudar?

É muito importante a avaliação precisa do caso e a sua monitorização ao longo do tempo (afinal estamos a falar de um grupo de risco para doenças graves). Também muito importante é modificar fatores de risco que são os mesmos para DCL ou para Demências, nomeadamente:

  • Fatores de risco cardiovasculares: sedentarismo, tabagismo, alterações do metabolismo do açúcar (controlo da diabetes), alterações do metabolismo dos lípidos (dislipidémias).
  • Fatores relacionados com o sono: as perturbações do sono estão muito relacionadas com estes quadros (ler mais sobre a importância de uma boa noite de sono)
  • Diagnóstico e tratamento da depressão: a depressão não tratada está associada também a défices cognitivos e a um risco maior de DCL e demência.
  • Rever medicamentos que possam interferir com a cognição.
  • Fatores dietéticos: muitos idosos apresentam uma nutrição com falhas que poderá estar associada a pior prognóstico. Uma alimentação diversificada, incluindo vegetais, fruta e peixe, é fundamental.

Infelizmente nenhum medicamento (incluindo os medicamentos utilizados nas demências) demonstrou ser eficaz para a prevenção da evolução para demência.

Por outro lado, algumas estratégias não farmacológicas, mostraram resultados muito promissores (ao nível de ajudarem na prevenção), nomeadamente duas:

  • Exercício físico regular.
  • Treino cognitivo.

Ou seja, mais uma vez a velha máxima mente sã em corpo são se aplica, não sendo demais salientar a importância do desporto (estimular o corpo) e de treinar o cérebro (estimular o mente).

Abraços

DG 2018

 

 

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Dia “Time to Talk”

tttd-960-x-9603.jpgUma organização do Reino Unido promove o dia do “Tempo para Falar” (“Time to Talk”) sobre a Saúde Mental. O objetivo é diminuir a descriminação e o estigma a que muitos dos que sofrem com doença mental estão sujeitos… e isto pode ser feito de forma simples: falando sobre o assunto!

Este é o site oficial: https://www.time-to-change.org.uk

Neste site existe um vasto conteúdo, que todos podemos utilizar para sensibilizar sobre este tema. Estão disponíveis mais de 1000 histórias pessoais.

Aqui está um excerto retirado do site: 

Cerca de 1 em cada 4 pessoas terá um problema de saúde mental este ano, mas a vergonha e o silêncio podem ser tão maus quanto o próprio problema de saúde mental. A sua atitude em relação à saúde mental pode mudar a vida de alguém“.

Que não hajam dúvidas em relação a isto, a atitude de todos nós perante a Saúde Mental pode levar a mudanças substanciais na qualidade de vida dos outros… Por isso, fale sobre isto…

Desafio aceite, e vocês?

Abraços
DG 2018

Neste post mais antigo poderão ver alguns dos mitos (ideias erradas) mais comuns sobre este tema: https://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2014/09/08/10-mitos-sobre-saude-mental/

 

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10/10 – Dia Internacional da Saúde Mental

Hoje celebra-se o dia Internacional da Saúde Mental, que tem como objetivo consciencializar sobre os problemas de saúde mental e mobilizar esforços para que todos tenhamos uma melhor saúde mental.

A organização Mundial de Saúde dedica este dia ao tema da saúde mental no local de trabalho (ver: http://www.who.int/mental_health/world-mental-health-day/2017/en/).

world-mental-health-day.jpg

Ao longo da nossa vida adulta, uma grande parte do nosso tempo é gasta no trabalho. A nossa experiência no local de trabalho é um dos fatores que determinam nosso bem-estar geral. Os empregadores e empresas que implementam iniciativas no local de trabalho para promover a saúde mental e para apoiar os funcionários com doenças mentais têm ganhos não apenas na saúde dos seus funcionários, mas também na produtividade do trabalho. Um ambiente de trabalho negativo, por outro lado, pode levar a problemas de saúde física e mental, uso lesivo de substâncias ou álcool, absenteísmo e perda de produtividade.  A depressão e as perturbações de ansiedade são doenças mentais comuns que têm um impacto sobre a nossa capacidade e, nomeadamente, para trabalhar de forma produtiva.

Globalmente, mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, principal causa de incapacidade a nível global. Mais de 260 milhões vivem com perturbações de ansiedade. Muitas dessas pessoas vivem com ambos. Um recente estudo liderado pela OMS estima que depressão e as perturbações de ansiedade custam à economia global 1 trilião de dólares por ano em perda de produtividade.

DG 2017

 

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9 maneiras de reduzir o risco de demência

A propósito do dia de ontem, em que se celebrou o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, partilho convosco estas dicas.

dementia-preventable-neurosciencenews.jpgEstima-se que 5% dos indivíduos acima dos 65 anos sofram de demência, existindo um aumento exponencial da incidência com o aumento da idade. O número de casos é tanto maior quanto maior for a esperança de vida da população, o que, no caso dos países europeus, é cada vez mais elevada.

Uma vez que a maioria das demências são doenças neurodegenerativas irreversíveis é muito importante apostar na prevenção. As evidências científicas têm vindo a acumular-se em relação ao papel preventivo destes 9 factores:

  1. Exercício físico regular (aeróbico, pelo menos 3x por semana).
  2. Estimulação intelectual (ex: aprender coisas novas, ler, fazer palavras cruzadas, dançar, etc.).
  3. Socializar (o isolamento é um fator de risco marcado para demências).
  4. Controlar tensão arterial (os factores de risco cardiovascular são também factores de risco para demência).
  5. Prevenir a obesidade.
  6. Não fumar.
  7. Controle da diabetes.
  8. Tratar a perda auditiva (muito importante para a estimulação social e intelectual é conseguir ver e ouvir bem)
  9. Tratar a depressão (ter uma depressão não tratada duplica o risco de demência a longo prazo).

Se quer mesmo gozar a sua reforma comece já a tratar bem o seu cérebro!

DG 2017

 

PS: Fica aqui o link para o site da Alzheimer Portugal que tem conteúdos interessantes.

 

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Contra o estigma na saúde mental

 

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