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Arquivo da Categoria: Consultar um Psiquiatra

Como ajudar alguém que está a passar por uma doença mental?

Aqui ficam algumas dicas importantes:

👉 Seja um bom ouvinte.

👉 Incentive a ajuda profissional.

👉 Eduque-se sobre saúde e doença mental.

👉 Mantenha-se em contacto.

👉 Não se esqueça de tomar conta de si.

👉 Seja paciente.

👉 Motive a manutenção do tratamento.

👉 Ofereça ajuda em algumas rotinas.

👉 Leve (muito) a sério as ameaças de suicídio.

Não deve fazer os seguintes:

✖️ Evite julgamentos

✖️ Não minimize o que o outro está a passar.

✖️ Não leve as coisas a peito.

✖️ Não tente “tratar” a pessoa.

✖️ Não tente apressar o processo.

Abraços

Diogo Guerreiro

PS: Poderá aprofundar este e outros temas no livro “E quando não está tudo bem?”

#saudementalimporta #depressão #ansiedade #equandonaoestatudobem

 

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Numa livraria perto de si.

É uma experiência curiosa, quando encontramos o livro que escrevemos numa livraria.

E ali estão vários meses de estudo, investigação e escrita… decisões, paginações, designs, revisões, edições. Tanto trabalho e dedicação que se compactam num pequeno objeto, pronto para ser folheado por qualquer transeunte destas lojas e, quem sabe, embrulhado em papel de natal.

Será que essa pessoa irá achar interessante? Será que vai gostar? Será útil? Irá compreender a mensagem que tento passar?… São estas as perguntas que me vão surgindo e que, imagino, sejam as comuns a todos os autores de livros.


Para já ainda é cedo, ainda poucas pessoas leram o meu livro. Mas estou muito interessado em saber as vossas opiniões. Digam-me se gostaram e se sentiram que foi útil.

Abraços

Diogo Guerreiro 2021

 

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Livro: E quando não está tudo bem?

É com imenso prazer que divulgo o lançamento do livro que escrevi, intitulado: “E quando não está tudo bem?Como (re)conhecer e agir na ansiedade e na depressão”.

Foi um desafio que me deu muita satisfação (e trabalho também) e que espero que vos desperte o interesse. Lançado pela Ego Editora (a quem agradeço a confiança), contando com as ilustrações de Luís Santos (um grande amigo) e com o prefácio do Professor Daniel Sampaio (uma das minhas grandes referências).

Uma das mensagens principais do livro é esta: É possível ficar bem, mesmo quando se passa por uma fase em que “não está tudo bem”.

Deixo-vos o índice, para ficarem com ideia do “esqueleto” do livro:

Prefácio – “Escuridão visível”
1. “E quando não está tudo bem?” – uma introdução
2. Saúde mental e bem-estar
2.1. Porque é tão difícil falar sobre saúde e doença mental?
2.2. Mente sã em corpo são
3. E quando ficamos ansiosos? – a ansiedade 
3.1. “Não consigo respirar!” – a Perturbação do Pânico
3.2. “Perto disso, nem pensar!” – as Fobias Específicas
3.3. “O que é que vão pensar sobre mim?” – a Fobia Social
3.4. “Estou sempre nervoso.” – a Perturbação de Ansiedade Generalizada
3.5. “Não consigo evitar…” – a Perturbação Obsessivo-Compulsiva
3.6. “Fui ao Inferno… e ainda não voltei.” – a Perturbação Pós-Stress Traumático
4. E quando ficamos deprimidos? – a depressão
4.1. “Será só tristeza?” – a Depressão Major
4.2. “Aos altos e baixos.” – a Doença Bipolar
5. Prevenir a doença mental
6. Tratar a doença mental
6.1. Como se tratam as Perturbações de Ansiedade e a Depressão?
6.2. Os medos e a realidade das consultas de psiquiatria
6.3. Como ajudar alguém com doença mental
7. Autolesão e suicídio – conhecer os sinais, saber o que fazer
8. Umas Palavras finais

Ao longo da minha escrita tive dois grandes objetivos: querer que o leitor fique com uma noção mais realista do que são estas perturbações mentais (tentando ao máximo desmontar alguns dos mitos mais frequentes) e criar uma noção de empoderamento relativa à área da Saúde Mental (é possível fazer muito pelo nosso bem-estar mental, é possível criar bons hábitos, prevenir a doença e tratar as situações clínicas). 

Espero, sinceramente, que gostem do que escrevi, mas mais do que isso, espero que esta minha partilha seja útil e, quem sabe, possa trazer uma maior tranquilidade em alturas mais desafiantes.

Abraços

Diogo Guerreiro

#saudemental #bemestar #ansiedade #depressão #prevenção #promoçãodasaúde

 

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Continuando

Ora viva,

Já passaram uns bons meses desde a última vez que escrevi aqui no blog… Tem sido um ano agitado, com muito trabalho e algumas atribulações. E, na realidade, a escrita sobre estes temas da saúde mental não tem parado; apenas assumiu uma nova forma.

Ao longo de vários meses tenho dedicado o meu tempo, entre consultas e família, à escrita de um livro focado nas temáticas da ansiedade e da depressão (mas não só!). Espero seja publicado em breve e que seja útil para as pessoas que se confrontam com estas questões, tão prementes nos dias de hoje.

Escolhi um título algo provocador “E quando não está tudo bem?”. Evocando aquela clássica pergunta “está tudo bem?”, que todos os dias fazemos quando cumprimentamos alguém, mas que raramente esperamos que seja respondida com sinceridade. Por vezes não está tudo bem, especialmente quando se está a lidar com problemas de saúde mental (nossos ou de outros que nos são queridos).

É tão importante estar à vontade para falar dos momentos em que não se está bem, tanto como das alturas boas. Todos somos seres humanos, todos temos momentos de fragilidade e vulnerabilidade. Mas, na prática, muitos de nós agem como se mostrar este nosso lado fosse algo vergonhoso. Não é! Partilhar os nossos problemas com alguém é um ótimo passo para resolvê-los. Pedir ajuda quando não está tudo bem deve ser encorajado e não visto como um sinal de fraqueza… a meu ver, é algo muito corajoso.

Espero dar-vos mais novidades em breve.

Abraços

Diogo Guerreiro

 

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Dicas para manter uma boa Saúde Mental

Uma imagem (com poucas palavras 😉) vale mil palavras. Recomendações da OMS.

Abraços a todos.

DG 2021

 

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Dia Mundial da Saúde Mental 10-10-2020

Hoje celebra-se o dia mundial da Saúde Mental. Um dia de reflexão sobre o muito que existe para fazer para combater o estigma e o preconceito, para que mais pessoas tenham acesso a serviços de qualidade para vencer as doenças que mais peso têm para a sociedade.

O que é a Saúde Mental? 🧐

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspecto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspectiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Mais informação aqui: https://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2016/10/21/promocao-da-saude-mental-e-prevencao-das-doencas-mentais/

#diamundialdasaúdemental #mentalhealthawareness #mentalhealthmatters #saudemental

 

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Regresso após o confinamento

Hoje, após 2 meses de teletrabalho, vou voltar a estar com os meus pacientes de forma presencial. Manterei sempre a opção de consulta à distância para quem o desejar (o que continua a ser o mais seguro para todos). Os consultórios onde trabalho adaptaram-se, segundo as melhoras normas de segurança e trabalhar de máscara vai ser obrigatório.

Diogo Guerreiro em “modo máscara”

Não sou grande fã de ver pessoas com máscara, perde-se algo na comunicação e é necessário alguma intuição sobre o que se passa por detrás da mesma. Mas enquanto existir esta ameaça do vírus, que remédio tenho eu e os meus pacientes.

A boa notícia é que isto será apenas uma fase transitória. A má é não sabermos ao certo quanto tempo.

Mas agora uma coisa é certa: que bem que sabe voltar a falar com pessoas “ao vivo”!

As agendas sofreram algumas alterações, fruto do “novo normal”, sendo as marcações, confirmações e honorários tratados, como habitualmente, pelas clínicas onde trabalho (por telefone ou email):

Alterstatus (Algés): 214100480 – 963310209 – alterstatus@gmail.com

Clínica das Horas (Saldanha): 211957947 – 916006464 – geral@clinicadashoras.pt

Até breve e cuidem-se.

DG 2020

Os apetrechos necessários

 

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Quarentena em modo teleconsulta

Já se passaram mais de 40 dias desde que, pela razão que todos conhecemos, comecei a efetuar consultas à distância.

Já é possível fazer um balanço desta fase e pensar nos prós e nos contras. Penso que esta frase, de Fernando Pessoa, sintetiza muito bem o meu sentimento: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Ao longo destas semanas esta foi, de facto, a única possibilidade. E aprendi a adaptar-me, em tempo recorde, a mexer em várias aplicações e sites, doxy, zoom, Skype; a gerir o apoio do secretariado por mail e telefone; a fazer multitasking entre contactos, confirmações, email, WhatsApp; a achar e arquivar processos. Enquanto tentei estar de corpo e alma nas consultas, tentando compensar as limitações do afastamento físico.

A experiência foi globalmente positiva, a estranheza dura os primeiros 5 minutos e, a certa altura, a conversa desenvolve-se e esquecemos que temos um ecrã entre mim e o paciente.

Estive com pessoas que já conhecia há algum tempo e outros que ainda não conheci face a face. Conheci animais de estimação, filhos, esposos, os seus quartos, salas, cozinhas, até o banco do jardim local. As pessoas mostravam-se no seu ambiente e isso compensou a perda da informação corporal das consultas on-line. Reparei que, talvez pela situação inédita, até havia mais vontade de partilhar e mesmo de rir de toda esta confusão. Claro que também observei muitos medos e consequência mais negativas, ao nível da saúde mental, desta pandemia.

Felizmente, a maioria dos meus pacientes adaptaram-se bem aos meios tecnológicos, mas há sempre aqueles que tem mais dificuldades… a opção presencial continuou como um último recurso.

Esta situação acaba também por interferir com a minha vida pessoal. A gestão aqui por casa é complexa. Para as minhas consultas consegui criar um espaço privado, tranquilo, dentro da minha casa, mas de vez em quando lá surgem as vozes dos meus filhos a brincar noutras divisões. A minha mulher é uma das médicas da linha da frente, os filhotes precisam de apoio e atenção, conseguimos organizar-nos em “turnos de trabalho” de modo a darmos apoio um ao outro enquanto trabalhamos. Funciona, mas posso dizer-vos que esta fase de confinamento não foi nada monótona! Ufa.

Mas mesmo com estes condicionamentos, penso que consegui dar o apoio que os meus pacientes precisavam e fico com a impressão que isto da teleconsulta veio para ficar!

Sem dúvida que a interrupção das consultas presenciais foi importante, cada um de nós com os seus esforços acabou por contribuir para aplanar a curva e evitar mortes desnecessárias. Sei que isto é incómodo para todos, mas mais de 1 mês depois, vejo que foi a decisão certa.

Claro que tenho saudades de estar com os meus pacientes, de os cumprimentar, de dar um beijinho, de receber um abraço… mas isso não está para voltar nos próximos tempos.

Aliás, o regresso assusta, não tanto pelo risco de contágio (embora isso seja uma preocupação), mas pelo encarar desta “nova realidade”, entre máscaras e acrílicos, com a falta de toque físico, sem acompanhantes nas consultas. Nem sei se estas novas consultas presenciais, não serão ainda mais estranhas que as consultas on-line. Como vou perceber se o doente está triste, contente ou preocupado debaixo da máscara?

Os consultórios estão prontos, com os seus planos de contingência, máscaras e álcool gel, acrílicos, ventilações, tudo para estarmos protegidos e seguros. Provavelmente daqui a umas semanas vou retomar gradualmente a consulta nesses espaços físicos. Embora, pelo menos durante o mês de Maio, vou privilegiar a consulta à distância, seguindo as recomendações das autoridades de “trabalho à distância sempre que possível”. Afinal, não nos podemos esquecer que ainda estamos na presença da ameaça do Coronavirus, temos conseguido evitar o pior mas ainda há muita luta pela frente.

De futuro, ainda não sei bem como gerir o “novo normal” com crianças pequenas sem escola ou infantário. Lá terei que puxar pela minha capacidade de adaptação e, com certeza, acharei a melhor solução. Perfeita não será, mas neste momento a última coisa que me preocupa é a perfeição; afinal estamos no meio de uma pandemia (mais imperfeito que isto não há)! Penso que uma das maneiras de manter a sanidade mental neste momento, e talvez não só neste momento, é não sermos tão exigentes connosco e sermos capazes de maior flexibilidade nos vários aspetos da nossa vida.

Sei que nos próximos tempos, os psiquiatras e psicólogos, vão ter muito que fazer… as consequências da COVID-19 a nível mental vão se sentir ao longo de meses. Espero conseguir estar à altura, quer seja através de um ecrã, quer seja por detrás de uma máscara.

Um abraço virtual para todos

Diogo Guerreiro

Médico psiquiatra.

 

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Surto Coronavírus: Consulta à distância

Com o desenrolar dos acontecimentos e a recomendação, por parte das autoridades de saúde, de restrição dos contactos sociais, tive de ponderar sobre a melhor decisão a tomar em relação ao acompanhamento dos meus pacientes, de modo a salvaguardar o melhor interesse dos doentes e da sociedade.

Assim sendo, passarei a realizar as minhas consultas em telemedicina (Zoom, WhatsApp, Doxy, Skype ou telefone), atendendo presencialmente apenas casos urgentes e que não consigam realizar a consulta à distância.

Compreendo que esta solução possa não ser ideal, mas é a mais segura para todos. O tempo que vivemos é complicado e ansiogénico e, também por isso, é importante adaptar-me de modo a poder continuar a prestar a meu apoio como médico psiquiatra sem descurar a segurança de todos.

Reavaliarei a situação a cada semana para, se tal for adequado, rever a decisão.

Manterei os agendas abertas nas horas habituais, sendo as marcações, confirmações e honorários tratados, como habitualmente, pelas clínicas onde trabalho (por telefone ou email):

  • Alterstatus: 214100480 – 963310209 – alterstatus@gmail.com
  • Clínica das Horas: 211957947 – 916006464 – geral@clinicadashoras.pt

Receituário, pedidos de exames, declarações, serão enviadas por email ou para o telemóvel.

Dúvidas ou questões podem sempre mandar um email: dr.diogo.guerreiro@gmail.com

Certo que todos juntos, cuidando uns dos outros, superaremos este momento complicado. Até breve.

Diogo Guerreiro

Médico Psiquiatra

Consultório “à distância” preparado.
 

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Dependências de jogos online: mito ou verdade?

Isto tem sido um assunto alvo de imenso debate na sociedade científica (e não só). Recentemente, participei num artigo da revista notícias magazine, que tentava sintetizar este tema.

Gostava, no entanto, de expandir um pouco mais a minha opinião.

A perturbação do jogo online (ou “internet gaming disorder“) é uma entidade diagnóstica altamente controversa (ver discussão neste link) e cujos critérios diagnósticos e eventuais terapêuticas propostas, ainda estão em aceso debate. Segundo a DSM-5, classificação utilizada nos EUA, trata-se de uma “entidade para prosseguir a investigação”. Já a Organização Mundial de Saúde, incluirá esta questão como “perturbação”, na sua classificação CID-11, sob o nome “gaming disorder” (ver link).

Mas será comparável à dependência de drogas?

Para mim, penso tratar-se de algo totalmente diferente da dependência de drogas (no sentido mais “tradicional do termo”). Na realidade, quando falamos de drogas, estamos a falar de substâncias externas que interferem diretamente no nosso cérebro e que, diretamente, têm mecanismos que levam à dependência dessa substância (ex: heroína, nicotina, álcool, etc.). As dependências “comportamentais”, ou seja, em que comportamentos e estímulos (que no dão prazer) levam à libertação de substâncias endógenas (naturalmente existentes no nosso cérebro) são, para todos os efeitos, diferentes em termos de mecanismo. Os jogos online, especialmente aqueles que rapidamente nos dão prazer e de forma repetitiva, a chamada “recompensa imediata”, levam à excitação dos nossos centros de prazer e recompensa cerebrais e o ser humano biologicamente está preparado para procurar recompensa e prazer para sobreviver como espécie. Afinal, é isto que nos leva a querer ter sexo, a comer uma boa refeição, a procurar prazer em locais, atividades, arte.

Apesar da perturbação do jogo online ser ainda alvo de debate, não há dúvida que certas pessoas estão mais suscetíveis para criar uma “dependência” de certos jogos (tal como existem dependências de jogos de apostas ou ao nível de comportamento sexual). No entanto, estas pessoas são uma minoria das pessoas que joga online. Nos milhões de pessoas que jogam online, apenas uma pequena percentagem apresenta sinais de dependência, se compararmos com a quantidade de pessoas que experimenta uma droga, seja heroína ou nicotina, a percentagem de pessoas que desenvolve uma dependência é muitíssimo maior. Apesar de se falar muito nos jovens, a propósito deste tema, não se trata de um questão apenas desta faixa etária (adultos vulneráveis também podem apresentar esta dependência).

Mas voltando à pergunta que dá título ao post: de facto, existem pessoas que apresentam sintomas de abstinência quando impedidos de jogar online (em muito semelhantes aqueles apresentados pelos utilizadores de drogas quando impedidos de a elas aceder). Os sintomas típicos da “abstinência” são: irritabilidade, tristeza, ansiedade, deixar de fazer outras atividades importantes e de que gostava para ficar a jogar, mentir aos membros da família sobre o tempo passado a jogar, usar o jogo para aliviar estados de espírito negativos e, apesar de saber das consequências negativas, incapacidade de controlar o tempo de jogo.

Quais os sinais de alerta (aqui sobretudo para os pais), para que um comportamento excessivo não passe a um verdadeiro vício?

Os pais devem estar atentos ao tempo e atividades dos filhos online. Deverão ser estabelecidas regras firmes acerca de horários e tipos de jogos adequados, e isso varia de família para família. Alguns sinais de alarme devem levantar preocupação imediata, tais como, quebra de rendimento escolar e desinteresse por outras atividades (como estar fisicamente com amigos, deixar hobbies ou desporto), reduzir o número de horas de sono para estar a jogar, ficar agressivo ou irritável de forma constante e/ou prolongada sempre que impedido de jogar (por ser o que foi previamente combinado como regra ou, simplesmente, por um imprevisto).

Caros pais preocupados, uma das coisas que parece estar associada ao risco de dependência de internet ou jogos online é, exatamente, o que se passa na família. Leiam este artigo. Em suma, o ambiente em casa, a capacidade de expressar afetos e comunicar, a capacidade de disciplinar sem autoritarismo, parecem todos contribuir para um maior ou menor risco do jovem cair numa dependência deste género.

Como se poderá eventualmente tratar?

Nada está estabelecido sobre o papel da terapêutica farmacológica. Se o jovem sofrer de uma perturbação de ansiedade ou uma depressão, que poderá ser um dos motivos de vulnerabilidade, poderá aí estar indicada a terapêutica farmacológica (ou não, depende). Tendo em conta tratar-se de um problema comportamental, provavelmente o mais indicado é uma psicoterapia com ênfase cognitivo-comportamental; eventualmente, com adolescentes, trabalhar com a família também será obrigatório.

Então e o “fortnite”?

Este jogo em particular – o fortnite – captou a atenção dos jovens e, segundo parece, em idades mais precoces, sendo a uma “última moda”… mas já antes observámos isto com outros jogos online.

A meu ver, em comum, estes jogos estão muitíssimo bem feitos para o seu propósito (que é basicamente manter uma comunidade de jogadores cada vez maior ligada ao seu jogo e, muitas vezes, a investir financeiramente no mesmo – ou seja, em viciar). Deteto no fortnite (como noutros jogos semelhantes) alguns fatores que possam contribuir para algumas mecânicas de adição: ser um jogo rápido, de fácil aprendizagem, e que quer se ganhe ou não, é divertido e dá prazer… portanto uma fonte ilimitada de recompensa imediata, de que o nosso cérebro tanto gosta. Para além disso, mistura vários componentes de jogos de sucesso num só “pacote”: construção, jogar às escondidas, estratégia ou simplesmente “andar aos tiros”. Tem um aspeto muito apelativo, e que varia ao longo do tempo, inclusivamente, tem “temporadas” tal como as séries de televisão, em que pequenas coisas mudam, levando a que perca o potencial de monotonia e, portanto, mantém sempre uma recompensa se se continuar a jogar. E, por fim, um fator muito importante, é um jogo social (os jovens encontram-se e combinam jogar com amigos), mantendo uma interação em casa com os amigos do exterior, algo também muito prazeroso e que dá mais uma recompensa.

Em suma, os mecanismos de adição comportamentais giram à volta do mesmo: recompensas e prazer imediatos, de fácil acesso e aprendizagem; e o nosso cérebro é ótimo a procurar repetir aquilo que nos faz sentir bem e a evitar o que nos faz sentir mal. É como se os programadores tivessem estudado a neurobiologia do cérebro e tivessem criado um produto, que apesar de não interferir de forma não natural (como as drogas) nos circuitos cerebrais de prazer e recompensa, os estimula de uma forma “natural” e extremamente completa… daí o risco de adição, especialmente nos jovens mais vulneráveis (aqueles com menos fontes de prazer, os mais isolados, com mais dificuldades na comunicação familiar, os com auto-estima mais frágil, ou mesmo, aqueles com personalidades mais vincadas no aspeto da procura de prazer imediato).

Em suma, sim acho que há verdade na dependência de jogos online (mas, felizmente, isto ocorre apenas numa minoria dos casos).

Se acharem que isto se poderá estar a passar com algum vosso conhecido, procurem ajuda. Em Lisboa, existe no Hospital de Santa Maria a unidade de atendimento a utentes com Utilização Problemática de Internet (NUPI).

Abraços
DG 2019

PS: Artigo completo do notícias magazine (link)

 

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