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Arquivo da Categoria: Bipolar

É tão bom ver o livro que escrevi a fazer o seu caminho…

De vez em quando ele encontra-se comigo, ou eu com ele, numa livraria, numa conversa, num paciente que me pede para o assinar. São momentos em que sinto imensa gratidão por ter tido esta oportunidade e pela recepção tão positiva que tem tido.

É cada vez mais importante que se fale abertamente sobre saúde mental, sobre as alturas em que não está tudo bem, em como podemos prevenir ficar doentes e como ser ajudados de forma eficaz. Acho que este livro é um pequeno contributo para esta abertura, para a discussão aberta de saúde e doença mental e para a quebra de estigmas e preconceitos.

👉 Se já leram, enviem as vossas opiniões, digam se foi útil. Nestas coisas dos livros nacionais é muito importante (e difícil) a divulgação, por isso fico-vos grato se o avaliarem nas plataformas dos livreiros (wook, Fnac, Bertrand, etc.) ou no Goodreads.

Conto convosco para chegar à 3a edição e estarmos todos cada vez mais à vontade e atentos para estes temas. Porque isto da depressão e ansiedade não são situações raras, pelo contrário!

Não há saúde sem saúde mental. 🧠💪

Abraços 🙏

Diogo Guerreiro

📖 “E quando não está tudo bem? Como (re)conhecer e agir na ansiedade e na depressão”, publicado em Dezembro de 2021 pela Ego Editora. Com prefácio do Professor Daniel Sampaio e ilustrações do Luís Santos.

 

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E quando não está tudo bem, 2a edição

O meu livro “E quando não está tudo bem: como (re)conhecer e agir na ansiedade e depressão” já está na sua segunda edição!

Parece que esta boa recepção traduz a necessidade de compreenderemos o que é isto de estar ansioso ou deprimido e, sobretudo, de como reagir perante estas situações, assim como encontrar formas de prevenir e de saber como lidar.

Fico contente com este sucesso e com o facto de poder ajudar as inúmeras pessoas que contactam com estes problemas.

Estou grato por ter tido esta oportunidade!

Um bem haja a todos!

Abraços

Diogo Guerreiro

 

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Livro: E quando não está tudo bem?

É com imenso prazer que divulgo o lançamento do livro que escrevi, intitulado: “E quando não está tudo bem?Como (re)conhecer e agir na ansiedade e na depressão”.

Foi um desafio que me deu muita satisfação (e trabalho também) e que espero que vos desperte o interesse. Lançado pela Ego Editora (a quem agradeço a confiança), contando com as ilustrações de Luís Santos (um grande amigo) e com o prefácio do Professor Daniel Sampaio (uma das minhas grandes referências).

Uma das mensagens principais do livro é esta: É possível ficar bem, mesmo quando se passa por uma fase em que “não está tudo bem”.

Deixo-vos o índice, para ficarem com ideia do “esqueleto” do livro:

Prefácio – “Escuridão visível”
1. “E quando não está tudo bem?” – uma introdução
2. Saúde mental e bem-estar
2.1. Porque é tão difícil falar sobre saúde e doença mental?
2.2. Mente sã em corpo são
3. E quando ficamos ansiosos? – a ansiedade 
3.1. “Não consigo respirar!” – a Perturbação do Pânico
3.2. “Perto disso, nem pensar!” – as Fobias Específicas
3.3. “O que é que vão pensar sobre mim?” – a Fobia Social
3.4. “Estou sempre nervoso.” – a Perturbação de Ansiedade Generalizada
3.5. “Não consigo evitar…” – a Perturbação Obsessivo-Compulsiva
3.6. “Fui ao Inferno… e ainda não voltei.” – a Perturbação Pós-Stress Traumático
4. E quando ficamos deprimidos? – a depressão
4.1. “Será só tristeza?” – a Depressão Major
4.2. “Aos altos e baixos.” – a Doença Bipolar
5. Prevenir a doença mental
6. Tratar a doença mental
6.1. Como se tratam as Perturbações de Ansiedade e a Depressão?
6.2. Os medos e a realidade das consultas de psiquiatria
6.3. Como ajudar alguém com doença mental
7. Autolesão e suicídio – conhecer os sinais, saber o que fazer
8. Umas Palavras finais

Ao longo da minha escrita tive dois grandes objetivos: querer que o leitor fique com uma noção mais realista do que são estas perturbações mentais (tentando ao máximo desmontar alguns dos mitos mais frequentes) e criar uma noção de empoderamento relativa à área da Saúde Mental (é possível fazer muito pelo nosso bem-estar mental, é possível criar bons hábitos, prevenir a doença e tratar as situações clínicas). 

Espero, sinceramente, que gostem do que escrevi, mas mais do que isso, espero que esta minha partilha seja útil e, quem sabe, possa trazer uma maior tranquilidade em alturas mais desafiantes.

Abraços

Diogo Guerreiro

#saudemental #bemestar #ansiedade #depressão #prevenção #promoçãodasaúde

 

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Dicas para manter uma boa Saúde Mental

Uma imagem (com poucas palavras 😉) vale mil palavras. Recomendações da OMS.

Abraços a todos.

DG 2021

 

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Dia Mundial da Saúde Mental 10-10-2020

Hoje celebra-se o dia mundial da Saúde Mental. Um dia de reflexão sobre o muito que existe para fazer para combater o estigma e o preconceito, para que mais pessoas tenham acesso a serviços de qualidade para vencer as doenças que mais peso têm para a sociedade.

O que é a Saúde Mental? 🧐

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspecto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspectiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Mais informação aqui: https://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2016/10/21/promocao-da-saude-mental-e-prevencao-das-doencas-mentais/

#diamundialdasaúdemental #mentalhealthawareness #mentalhealthmatters #saudemental

 

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The pineapple mind – um projeto a seguir.

Mais um excelente projeto de jovens portugueses, para sensibilizar, remover preconceitos e dar voz às questões de saúde mental. A seguir! Parabéns aos autores. 💪👍🏻

https://linktr.ee/Thepineapplemind

 

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10 Outubro: Dia Mundial da Saúde Mental

Dia 10 de Outubro é o dia Mundial da Saúde Mental. Ao longo dos anos este dia tem tido o propósito de chamar a atenção da comunidade para vários aspetos da nossa saúde mental, sendo que este ano o tema é “os jovens e a saúde mental num mundo em mudança”. A este propósito convido a visita à pagina da Organização Mundial da Saúde, onde poderão aprofundar mais este tema: http://www.who.int/mental_health/world-mental-health-day/2018/en/

saude mental.jpg

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a Saúde Mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“. Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspeto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspetiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Já anteriormente escrevi um post sobre promoção e prevenção das doenças mentais que pode ser aqui consultado. Mas nunca é demais chamar a atenção para coisas simples que todos nós podemos fazer para melhorar a nossa saúde mental e para prevenir situações mais complicadas no futuro… Aliás este tema foi relevado numa revisão muito recente (de 2018), na prestigiada revista Lancet Psychiatry (se tiverem a possibilidade leiam este artigo que é muito interessante), focando estratégias preventivas ao longo das várias alturas da nossa vida (desde antes do nascimento, até ao início da vida adulta).

Deixo-vos com uma pequena síntese das estratégias preventivas gerais (existem outras para grupos de risco, mas isto fica para outro post), baseadas na evidência científica atual, ao longo do nosso ciclo de vida.

Durante a gravidez e período pós-parto:

  • Boa nutrição
  • Vigilância adequada da gravidez e bons cuidados no parto
  • Promoção de uma boa vinculação entre progenitores e o recém-nascido

Durante a infância e adolescência:

  • Estimulação adequada à idade
  • Refeições (e tempo) em família
  • Treino de estratégias de resiliência
  • Bom clima escolar e familiar
  • Intervenções contra o bullying e outros tipos de violência
  • Boa nutrição
  • Exercício físico regular
  • Bons hábitos de sono
  • Prevenção de abuso de substâncias

Durante a vida adulta:

  • Boa nutrição
  • Exercício físico regular
  • Estratégias de redução de stress crónico
  • Bons hábitos de sono
  • Promoção de redes de suporte social e familiar (prevenir o isolamento)
  • Facilitar o reconhecimento precoce da doença mental e seu tratamento

Em todas as alturas do ciclo de vida:

  • Reduzir as iniquidades sociais e prevenir o desemprego
  • Melhorar a educação e os cuidados na infância
  • Reduzir o estigma associado à doença mental
  • Aumentar a consciencialização da sociedade e dos profissionais de saúde

Que todos tenhamos um bom dia e sempre promovendo a nossa saúde mental.

DG 2018

 

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Um dos Mitos da Psiquiatria

A meu ver um dos maiores mitos (ideias falsas) na Psiquiatria é o seguinte:

Os diagnósticos em Psiquiatria são apenas etiquetas para comportamentos normais.

Para quem nunca lidou com alguém com uma doença mental (como amigo, familiar ou mesmo técnico) pode parecer que determinados sintomas psicopatológicos são muito semelhantes a emoções ou comportamentos normais.

Por exemplo, como traçar a linha entre a tristeza normal e a patológica, ou quando é que falamos de timidez ou de ansiedade social, ou quando é que a organização se torna uma compulsão?

No entanto, tal como a diferença entre um tumor benigno e um cancro, os sintomas na perturbação mental são bem diferentes das emoções ou comportamentos “normais”. Habitualmente, quando determinada emoção ou comportamento se torna debilitante ao ponto do paciente não conseguir funcionar do ponto de vista profissional, social ou familiar, estamos muito provavelmente perante uma doença mental.

O diagnóstico (a “etiqueta”), apesar de todas as limitações que bem conhecemos, torna-se nestes casos particularmente importante por várias razões:

  • para o próprio paciente saber com o que está a lidar;
  • para os técnicos intervirem da melhor forma e de acordo com o que se sabe do ponto de vista científico para esse diagnóstico;
  • também para a evolução da ciência, pois é necessário que os investigadores falem uma linguagem comum para compararem resultados e discutirem as possíveis linhas de investigação.

Os problemas de saúde mental (ou doenças psiquiátricas) são muito frequentes. Na verdade, quase 1 em cada 5 portugueses terão um problema de saúde mental diagnosticável ao longo da sua vida, de acordo com os dados da Direção Geral de Saúde.

Felizmente, hoje em dia, há vários tratamentos eficazes, quer em termos medicamentosos, mas também várias psicoterapias e intervenções ao nível do estilo de vida (como a prática de exercício físico, a meditação e intervenções nutricionais).

Daí a importância de um diagnóstico precoce, pois o prognóstico das doenças psiquiátricas é muito melhor quando acompanhadas desde cedo, podendo levar à remissão total dos sintomas e à prevenção das consequências terríveis de uma doença mental não tratada (como por exemplo a incapacidade profissional, o corte de relações sociais ou familiares, ou, em casos extremos, o suicídio).

DG 2018

PS: Se quiser conhecer outros mitos carregue neste link.

 

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Dia “Time to Talk”

tttd-960-x-9603.jpgUma organização do Reino Unido promove o dia do “Tempo para Falar” (“Time to Talk”) sobre a Saúde Mental. O objetivo é diminuir a descriminação e o estigma a que muitos dos que sofrem com doença mental estão sujeitos… e isto pode ser feito de forma simples: falando sobre o assunto!

Este é o site oficial: https://www.time-to-change.org.uk

Neste site existe um vasto conteúdo, que todos podemos utilizar para sensibilizar sobre este tema. Estão disponíveis mais de 1000 histórias pessoais.

Aqui está um excerto retirado do site: 

Cerca de 1 em cada 4 pessoas terá um problema de saúde mental este ano, mas a vergonha e o silêncio podem ser tão maus quanto o próprio problema de saúde mental. A sua atitude em relação à saúde mental pode mudar a vida de alguém“.

Que não hajam dúvidas em relação a isto, a atitude de todos nós perante a Saúde Mental pode levar a mudanças substanciais na qualidade de vida dos outros… Por isso, fale sobre isto…

Desafio aceite, e vocês?

Abraços
DG 2018

Neste post mais antigo poderão ver alguns dos mitos (ideias erradas) mais comuns sobre este tema: https://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2014/09/08/10-mitos-sobre-saude-mental/

 

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Doenças mentais vs doenças físicas – faz sentido falar disto?

mentecorpo.jpgNão é raro ouvir-se falar de “doenças da cabeça” ou da diferença entre ter uma “doença física” ou uma “doença mental”… No entanto, esta divisão mente e corpo é puramente artificial e a manutenção desta visão deriva provavelmente do facto de o sistema nervoso central, o cérebro e as suas ligações, serem ainda em grande parte território inexplorado.

Os técnicos de saúde mental (psiquiatras, psicólogos, etc.) há muito que o sabem na prática. Que com muita frequência “doenças mentais” provocam sintomas físicos, veja-se o exemplo da depressão major em que são por demais comuns sintomas de dor, náuseas, cefaleias, etc. Ou que determinadas doenças ocorrem com maior frequência em pacientes com historial de depressão ou ansiedade (por exemplo), mas também vice-versa (doentes com determinadas “doenças físicas” tem maior prevalência de “doenças mentais”), como por exemplo as doenças cardiovasculares, as doenças autoimunes, a diabetes, entre muitos outros exemplos possíveis.

Felizmente vamos tendo cada vez mais dados de investigação que comprovam que as perturbações psiquiátricas levam alterações em múltiplos sistemas corporais e não apenas no cérebro (e não apenas a alterações nos neurotransmissores).

Olhemos para o caso da depressão (poderão ler mais sobre este tema aqui).

5908a2f185d53210113731.jpgDesde a antiguidade que ouvimos falar de depressão. Na Antiga Grécia, Hipócrates (o considerado pai da Medicina) colocava a hipótese que os estados de melancolia derivariam de excesso de bílis negra no fígado. E, de facto, a depressão continua a ser uma das doenças com maior magnitude e peso a nível global, sendo uma das principais causas de incapacidade a nível mundial. Estimativas de prevalência apontam para que 1 em cada 4 mulheres e 1 em cada 10 homens possam vir a ter um episódio depressivo ao longo da a sua vida.

Muito se tem evoluindo na compreensão desta doença, mas apesar dos inegáveis avanços ao longo do tempo, a sua causa é em muitos aspetos, desconhecida e controversa.

Tudo aponta para uma complexa interação entre vulnerabilidade genética, fatores do neurodesenvolvimento e fatores ambientais/ psicossociais; estes fatores poderão levar a modificações epigenéticas (mudanças na expressão dos genes); que por sua vez levarão a alterações a nível neuroquímico, neuroendócrino, neuroinflamatório, neuroestrutural e neurofuncional.

Longe está o tempo das conceptualizações mais simplistas como a hipótese das catecolaminas, proposta por Schildkraut em 1965, em que a depressão era explicada como uma simples deficiência de neurotransmissores na fenda sináptica (nomeadamente serotonina, noradrenalina ou dopamina).

O modelo biopsicossocial da depressão continua a ser de elevada relevância e atualidade e reflete a complexidade dos fatores causais biológicos (bio), psicológicos (psico) e sociais/ de contexto (social). Só com uma perspetiva integrativa e multidisciplinar se consegue avançar na investigação nesta área. A meu ver já não faz sentido verem-se aquelas guerras entre os “psiquiatras biológicos” (que achariam que tudo se resume a alterações químicas) e os “psicoterapeutas fundamentalistas” (que achariam que tudo se resume a mecanismos psicológicos explicados por determinada escola de psicoterapia) ou mesmo com certos grupos e movimentos antipsiquiatria (que achariam que as doenças mentais derivam apenas de pressão e manipulação social).

Apesar do puzzle da origem da depressão conter inúmeras peças, seguem-se, a título de exemplo, dez achados de investigação, consistentemente relatados, sobre a etiologia desta doença, com o objetivo de demonstrar a complexidade desta interação entre os fatores biológicos, psicológicos e sociais:

  • Vulnerabilidade genética: evidências robustas de estudos familiares e em gémeos demonstram que 30 a 40% do risco pode ser atribuível a fatores hereditários. Ter um familiar em 1º grau afetado aumenta o risco de depressão em 2 a 3 vezes.
  • Experiências adversas precoces: tudo aponta para que este fator ambiental em muito contribua para a etiologia das perturbações depressivas (dentro dos limites da vulnerabilidade genética). As experiências adversas precoces poderão ser de variados tipos, tendo tanto peso as situações de negligência como as de abuso.
  • Alterações observadas ao nível molecular: vários fatores moleculares forma implicados na fisiopatologia da depressão, nomeadamente: alterações de fatores neurotróficos e outros fatores de crescimento (que têm funções fundamentais em vários aspetos da neuroplasticidade e cujo stress crónico suprime a sua produção); alterações na regulação do sistema inflamatório, ao nível dos mediadores inflamatórios (citoquinas) e do eixo hipotálamo hipófise-suprarrenal (sistema que regula a inflamação e resposta ao stress a nível de todo o corpo).
  • Alterações observadas ao nível da neuroimagem: vários sistemas neuronais importantes, incluindo aqueles responsáveis pelo processamento e pela regulação das emoções, pela tomada de decisões assim como circuitos associados às sensações de recompensa e prazer, mostram alterações imagiológicas em pacientes com depressão.
  • Multiplicidade de fatores biológicos precipitantes: ao longo das décadas, tem-se verificado de forma consistente que uma grande variedade de doenças físicas, substâncias tóxicas, drogas ou medicamentos, estão relacionados com a indução de episódios depressivos (com efeito muito para além do que seria esperado em virtude apenas das alterações psicossociais a eles associadas).
  • Traços de personalidade que conferem vulnerabilidade: determinados traços de personalidade como o neuroticismo, o evitamento do dano (harm-avoidance), a tendência à autocrítica, assim como a presença de um temperamento predominantemente depressivo ou a inibição comportamental durante a infância, foram associados a um maior risco de episódios depressivos.
  • Fatores de stress psicossociais precipitantes: está também bem estabelecido, sobretudo nos primeiros episódios depressivos, que é comum verificarem-se fatores precipitantes ao nível psicossocial. Esta é a base do modelo diátese-stress da depressão, segundo o qual o individuo com determinados fatores de vulnerabilidade (diátese) quando exposto a um ou mais fatores de stress (por exemplo: desemprego, ruptura amorosa, morte de alguém próximo, etc.) irá desenvolver um episódio depressivo.
  • Situações precárias a nível de contexto social aumentam o risco: pessoas em situações de privação socioeconómica, em situações de isolamento ou com escassas redes de suporte social, apresentam um risco aumentado de vir a ter uma depressão.
  • Tratamentos biológicos com eficácia: a utilização de psicofármacos, sobretudo antidepressivos mas não só, tem mostrado eficácia no tratamento dos episódios depressivos. Também outros métodos como a eletroconvulsivoterapia, a estimulação magnética transcraniana, ou mesmo a suplementação nutricional (sendo a mais reconhecida feita com ácidos gordos ómega 3) são também estratégias eficazes.
  • Tratamento psicossociais com eficácia: várias abordagens psicoterapêuticas e outras estratégias como a meditação mindfulness ou o exercício físico têm mostrado eficácia (este últimos sobretudo como adjuvantes) no tratamento dos episódios depressivos.

Com estas 10 peças deste grande puzzle, sempre em crescimento e em constante interação, pretendeu-se demonstrar os avanços marcados na compreensão da depressão e a importância de uma abordagem integrativa.

A depressão é hoje em dia considerada uma doença do corpo, que afeta o sistema nervoso central, mas também vários outros sistemas espalhados por todo o nosso organismo (por exemplo: o sistema inflamatório/ imune, o sistema cardiovascular, o sistema hormonal, etc.). Cuja origem deriva de uma combinação de fatores internos (biológicos e psicológicos) em interação com fatores de contexto ou sociais. Por isso mesmo, os melhores tratamentos normalmente envolvem uma combinação de estratégias psicoterapêuticas, medicamentos (quando indicados) e alterações de estilo de vida.

Tal como na depressão a maioria das “doenças da cabeça” são também doenças “físicas”, sendo muito importante tratar a pessoa como “um todo”.

Espero que tenha sido útil esta reflexão.

Abraços

DG 2018.

 

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