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Arquivo da Categoria: Reflexão doença mental

Por trás da porta amarela… uma história de doença mental

yellow-house-jpgUma paciente minha enviou-me este texto, que não conhecia: “Por trás da porta amarela, há um homem com problemas psicológicos“. Trata-se de um texto, publicado no jornal Público (também no The Washington Post) e escrito por Stephanie McCrummen.

É a história de um homem de meia idade, que sofre (muito provavelmente) de uma psicose, que lentamente destrói a sua vida e o afasta da família. Fala das dificuldades em lidar com este tipo de situação e como, muitas vezes, a sociedade não apresenta respostas adequadas para estes doentes.

Ninguém sabe o que ele está a fazer. Ninguém sabe em que é que pensa, o que come ou como sobrevive. Em dois anos, desde que a sua mulher em pânico levou os dois filhos e o deixou ali sozinho, nunca falou com ninguém mais do que alguns minutos. Não deixou ninguém passar da porta, que fortificou com uma nova fechadura, um bocado de plástico a tapar o vidro e contraplacado por baixo, que pintou de um amarelo quase fluorescente. Tem sempre as cortinas da sala corridas.

O homem da casa — que tem 42 anos, já chegou a ganhar um salário de seis dígitos trabalhando para o Capitol Hill e era um marido e pai dedicado — diz aos pais que não está doente. Tanto quanto sabem, deixou de tomar os medicamentos psiquiátricos que lhe foram receitados depois de ter contado à polícia que Deus falava através do seu filho de três anos. Abandonou o emprego e deixou de pagar as contas. A família não sabe o que fazer.

Aconselho vivamente para todos os interessados neste tema. Aqui fica o link para o texto completo: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/por-tras-da-porta-amarela-ha-um-homem-com-problemas-psicologicos-1662325.

DG 2014

 

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O que é a Saúde Mental?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspecto vinculado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspectiva positiva, a OMS convida a pensar na saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

Saúde-Mental

Porque é isto importante?

A OMS publicou recentemente um relatório sobre a importância de investimento na saúde mental. No relatório “Investing in Mental Health – Evidence for action”, a OMS explora os conceitos de saúde mental, qual a sua importância para a vida humana como um direito fundamental, e quais as direções que os governos podem seguir no sentido de alterar as políticas públicas.

“A saúde mental e o bem-estar são fundamentais para nossa capacidade coletiva e individual, como seres humanos de pensar, sentir, interagir uns com os outros, ganhar e aproveitar a vida. No entanto, atualmente a formação do capital mental individual e coletivo – especialmente nos estágios iniciais da vida – está a ser retido por uma série de riscos evitáveis ​​para a saúde mental, enquanto os indivíduos com problemas de saúde mental são desprezados, discriminados e negados direitos básicos, inclusive acesso aos cuidados essenciais.

Neste relatório, as razões potenciais para esta aparente contradição entre os valores humanos e ações sociais observados são explorados com vista a uma melhor formulação de medidas concretas que os governos e outras partes interessadas podem tomar para reformular as atitudes sociais e políticas públicas em torno da saúde mental.”

A pensar… a agir… de forma urgente!

Cumprimentos para todos

DG 2014

 

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Perturbações do comportamento alimentar

Esta semana recebi muitos novos casos de perturbações do comportamento alimentar.

Bulimia…-nerviosa-1São estas a Anorexia Nervosa, a Bulimia Nervosa e o Binge EatingNeste artigo do psiadolescentes poderão saber mais sobre os sintomas, sinais e mecanismos envolvidos. São situações duras, mas que felizmente na maioria dos casos é possível dar a volta por cima. Não são situações para “deixar andar” mas sim para tratar o mais cedo possível. Para que o corpo e a comida deixem de ser tudo o que há na vida destes jovens, para que consigam viver a sua juventude em pleno, com confiança e boa auto-estima.

Se sofrem de alguma destas perturbações peçam ajuda SFF! Não se deixem levar nesta espiral de angústia, dor e insatisfação crónica!

 

Um conselho de um psiquiatra com muitos anos de experiência neste tipo de situações.

Um abraço

DG 2014

 

 

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Os 10 grandes mitos (ideias erradas) sobre o suicídio e sobre os comportamentos autolesivos.

Adaptado de “Comportamentos suicidários em Portugal”, editado pela Sociedade Portuguesa de Suicidologia em 2006.prevenção suicídio

  1. A pessoa que fala sobre suicídio não fará mal a si própria, apenas quer chamar a atenção“. FALSO, todas as ameaças devem de ser encarados com seriedade, a pessoa está em sofrimento e precisa de ajuda. Muitos suicidas comunicam previamente a sua intenção.

  2. O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso“. FALSO, apesar de muitas vezes parecer impulsivo pode obedecer a um plano e ter sido comunicado anteriormente.

  3. Os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão decididos a matar-se“. FALSO, a maioria das pessoas que se suicida conversa previamente com outras pessoas ou liga para uma linha de emergência, o que mostra a ambivalência que subjaz ao ato suicida.

  4. Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa está fora de perigo“. FALSO, na verdade, um dos períodos de maior risco é o que surge durante o internamento ou após a alta. A pessoa continua em risco.

  5. A tendência para o suicídio é sempre hereditária“. Desta forma FALSO, há ainda dúvidas acerca desta possibilidade. Contudo, uma história familiar de suicídio é um fator de risco importante, particularmente em famílias onde a depressão é comum.

  6. Os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre uma perturbação mental“. NEM TODOS, mas a maioria apresenta sintomas depressivos. É frequente também a ansiedade, a bipolaridade, os consumos de álcool e drogas, etc. Apenas em 10% das pessoas que consuma o suicídio não se apura diagnóstico psiquiátrico.

  7. Se alguém falar sobre suicídio com outra pessoa está a transmitir a ideia de suicídio a essa pessoa“. FALSO, não se causam comportamentos suicidas por se falar com alguém sobre isso. Na realidade, reconhecer que o estado emocional do indivíduo é real e tentar normalizar a situação induzida pelo stresse são componentes importantes para a redução da ideação suicida; faz que o paciente sinta que da parte do seu interlocutor há interesse no seu sofrimento.

  8. O suicídio só acontece aos outros“. FALSO, o suicídio pode ocorrer em todas as pessoas, independentemente do nível social ou familiar.

  9. Após uma tentativa de suicídio a pessoa vez nunca mais volta a tentar matar-se“. FALSO, uma pessoa que tem uma tentativa prévia ou comportamentos autolesivos de menor letalidade apresenta um muito maior risco de cometer suicídio.

  10. Quem se magoa de propósito é louco“. PRECONCEITO TERRÍVEL E ERRADO, que inibe as pessoas de pedir ajuda. Quem se magoa de propósito ou considera o suicido está em sofrimento e pode ser ajudado!!

Link importante: Sociedade Portuguesa de Suicidologia

Precisa de ajuda? Conhece alguém que precise? Ligue para os serviços telefónicos de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal (neste link), recorra a um profissional de Saúde (qualquer Médico de Família, Serviço de Urgência, Psiquiatra, Psicólogo, etc.).

É possível prevenir o suicídio e a autolesão! Não se deixe enganar por estes mitos, estigmas e preconceitos.

Por favor ajude a partilhar esta mensagem. Obrigado!

DG 2014

 

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XIII Simpósio SPS Abril 2014

XIII Simpósio SPS Abril 2014O Simpósio da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), irá realizar-se nos dias 11 e 12 de abril de 2014, no Campus do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

“À semelhança das edições anteriores, conta com a colaboração dos Departamentos de Psiquiatria e Saúde Mental regionais, juntando profissionais das mais diversas áreas, com um propósito comum: partilhar saberes e experiências, dar a conhecer a investigação científica mais recente sobre o suicídio e os comportamentos autolesivos, contribuir para a prevenção destes comportamentos que têm graves custos pessoais, familiares, sociais e económicos, e promover a sensibilização e formação de quantos – profissionais ou estudantes – se interessam por esta temática tão sensível.
O Simpósio, que conta com um programa diversificado, dirige-se a médicos – psiquiatras, especialistas em MGF e outros –, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social, professores e outros educadores, e estudantes universitários.”
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Esta semana estive a preparar a minha comunicação sobre “Autolesão e estratégias de coping na adolescência”, que será apresentada na manhã de Sábado, na mesa redonda “Suicídio e comportamentos autolesivos na adolescência”. Falarei sobre alguns resultados do meu projecto de doutoramento, nomeadamente de como os adolescentes que realizam comportamentos autolesivos (por exemplo: cortes ou queimaduras na superfície corporal, sobredosagens medicamentosas ou tóxicas, etc.) parecem ter um perfil distinto de utilização de estratégias de coping.
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Segundo os dados deste estudo (em adolescentes da área da Grande Lisboa), verificou-se que a ausência de estratégias eficazes de coping, com uso predominante de estratégias não produtivas (como culpabilizar-se, evitar a situação ou reduzir a tensão através de tabaco, álcool ou drogas), ao invés de focadas na resolução de problemas ou no pedido de suporte a outros, foi associada a maior probabilidade de comportamentos autolesivos.
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A identificação destes padrões, poderá ser importante na ajuda a estes adolescentes, permitindo trabalhar com os jovens formas de lidar com os problemas mais eficazes, evitando o mal-estar que muitas vezes leva a estes comportamentos de autolesão.
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E deixo um slide da apresentação, tipo “teaser”, que exemplifica de forma gráfica como perante a mesma situação se pode reagir/ lidar ou escolher uma estratégia de coping diferente!
2014 SPS coping SHAbraços a todos
DG 2014
 

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Como os cavalos podem ajudar na saúde mental?

Hoje foi dia de conhecer e de experienciar algo novo: Terapia Equina Relacional.

Terapia equina

A Terapeuta Alexandra Santana, do projecto “Quatro Patas e Uma Crina“, desafiou-me para conhecer as actividades que está a desenvolver no Centro Hípico da Costa do Estoril. Aceitei com muito agrado o convite e lá estive hoje à conversa e, claro, a experimentar na primeira pessoa a forma como estes fantásticos animais se relacionam e espelham as nossas emoções.

O seguinte texto foi retirado do blog Quatro Patas e Uma Crina e dá algumas luzes sobre o assunto:

A Terapia Assistida por Equinos  associa-se a um trabalho feito maioritariamente no chão, ou seja, sem que haja necessidade de montar o cavalo. Nestes casos as atividades são realizadas tendo o cavalo como companheiro de “jogo” e são todas de caráter relacional. Dificil? Nem por isso. Montam-se atividades, todas elas situações problema para as quais o cliente deve encontrar resposta e responder à atividade tendo o cavalo como seu parceiro de jogo. Sim, os cavalos também jogam e tomam um papel ativo na sessão! Os clientes são de facto levados a convencer os cavalos a fazerm as atividades consigo. Esta abordagem tem uma grande ênfase relacional além de todos os resultados positivos inerentes às abordagens terapêuticas de caráter experiencial onde o cliente toma um papel iminentemente ativo e parte à descoberta de si mesmo num contexto dinâmico e desafiante.  Desafiam-se emoções e comportamentos. Desafiam-se estilos de pensar e formas de agir. Partilham-se histórias e aprendizagens de vida através de atividades simbólicas, atividades-metáfora.Trabalham-se competências académicas, relacionais, sociais e pessoais num contexto de permanente e dinâmica interação. Tudo através da linguagem corporal. O corpo torna-se de facto no mais poderoso instrumento de comunicação e aprendizagem. Neste caso a partida à descoberta é feita ao mesmo tempo que se conquista um cavalo para ser nosso companheiro nas atividades. A auto descoberta acontece com e através do outro…

Falámos de como este projecto pretende fazer algo de diferente e inovador no campo da saúde mental em Portugal. Do seu potencial de intervenção em áreas tão diversas como a afectividade, a comunicação, a regulação emocional ou mesmo a organização do pensamento e dos comportamentos… Desde a criança ao adulto.

Depois desta conversa sobre as bases teóricas, ainda houve tempo para estar no picadeiro… Foi incrível verificar como os cavalos respondem ao nosso estado emocional e mesmo à nossa assertividade, enquanto “brincamos”, comunicamos e nos relacionamos com eles. 

Sem dúvida um projecto a seguir e que merece os parabéns!

Para conhecerem mais:

E obrigado pelo convite!!

Abraços

DG 2014

 

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E se as doenças “normais” fossem tratadas como a depressão?

se as doenças "normais" fossem tratadas como a depressão

Infelizmente isto acontece mesmo… As frase que os meus doentes com depressão dizem ouvir de familiares, amigos, conhecidos, colegas, são exactamente estas (sem tirar, nem por… com excepção do sotaque brasileiro). Já imaginou o que estes sentem?

A depressão não é uma situação que se possa resolver de forma voluntária, as pessoas deprimidas não conseguem simplesmente controlar os seus pensamentos e atitudes e ficar melhores.

Urge lutar contra este estigma e preconceito!

Mais sobre depressão aqui: http://reflexoesdeumpsiquiatra.com/2013/09/06/e-quando-ficamos-deprimidos

Abraços

DG 2014

 

 

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“I’m only happy when it rains”… ou é ao contrário?

Aviso: Este artigo é para ler ao sol…

O sol

Tal como diz aquela velha frase batida “só damos o devido valor a algo quando o perdemos”… E este ano o nosso amigo sol parece ter-se zangado connosco. Não estamos habituados a isto, neste inverno têm-se contado pelos dedos os dias de sol, temos até títulos jornalísticos assim: “2014, o ano quase sempre com mau tempo“! Mas agora, finalmente, parece que já vemos a “luz ao fundo do túnel” (neste caso será mais a luz no topo das nossas cabeças). E, depois de todos estes dias cinzentos, quem não dá o devido valor a estes dias solarengos?

Porque é tão importante “apanhar sol”?

No “século passado” a mensagem era “o sol faz mal”. De facto, a exposição excessiva a radiações UV aumenta o risco de cancros da pele, de problemas oculares ou de envelhecimento precoce da pele. Felizmente, o século passado trouxe-nos algumas fantásticas invenções: os protetores solares… em substituição do famigerado óleo de coco (também conhecido como óleo para fritar); os óculos escuros; os cremes hidratantes.

Mas “neste século” começou-se a perceber que a pouca exposição solar (a raios UV) é também problemática. Estudos comprovam que a subexposição à luz leva a doenças graves músculo-esqueléticas, que provavelmente aumenta o risco de várias doenças autoimunes e, imagine-se, de alguns tipos de cancro. Quanto aos seus efeitos na saúde mental… já lá vamos.

O mais conhecido benefício da exposição solar é o seu papel no aumento das reservas de vitamina D. Sabia que existem pelo menos 1000 genes, importantes na regulação de importantes sistemas corporais, que são regulados pela forma ativa desta vitamina, a 1,25-dihidroxivitamina D3? Nestes se incluem o metabolismo do cálcio e o funcionamento dos sistemas neuromuscular e imunológico. Ora, ao contrário da maioria das vitaminas que são obtidas através da alimentação, a vitamina D pode ser produzida pelo nosso corpo através de uma reação fotossintética (iniciada pela exposição aos raios UV). A mais conhecida complicação de níveis baixos de vitamina D é a osteoporose, afetando sobretudo as pessoas mais idosas, por isso é que os especialistas “recomendam uma exposição solar moderada, fora do chamado período crítico de maior calor”.

Apanhar sol pode realmente fazer-me sentir melhor?

É verdade que a exposição solar interfere (e muito) com o nosso humor e a nossa energia. De facto, apanhar sol poderá melhorar o nosso humor, energia, aliviar a ansiedade e ajudar a dormir!

Nós, os seres humanos, somos criaturas diurnas programadas para estar ao ar livre, enquanto o sol está a brilhar e em casa, na cama, à noite. Quando a luz solar atinge os olhos, o nervo óptico envia uma mensagem para uma pequena parte do cérebro chamada glândula pineal, inibindo a produção e libertação de melatonina. O oposto acontece em relação à produção de serotonina, um neurotransmissor associado à sensação de bem-estar, que nos mantém despertos e concentradosNo escuro inverte-se a ordem e o nosso cérebro começa a produzir e a libertar a melatonina, substância responsável pelo controlo de vários ritmos circadianos do nosso corpo, incluindo o ciclo de sono-vigília. Sabe-se, por exemplo, que quando as pessoas são expostas à luz solar (ou à luz artificial muito brilhante) na parte da manhã, a produção noturna de melatonina ocorre mais cedo e de forma mais intensa, facilitando o adormecer.

Serotonina e melatonina

A melatonina deriva da serotonina, por isso quando aumenta a sua produção reduz-se a disponibilidade de serotonina. Quando temos dias de baixa exposição solar, o nosso cérebro produz maior quantidade de melatonina e reduz a quantidade de serotonina disponível. Por outro lado, nos dias mais luminosos temos maiores níveis de serotonina, pois existe menor conversão em melatonina.

Verificou-se que a perturbação afectiva sazonal, que é mais comum em países mais a norte (com grandes períodos de maior escuridão), está associada a baixos níveis de serotonina durante o dia e a um atraso na produção de melatonina à noite.

Vários estudos têm demonstrado que a exposição à luz (natural ou artificial), no período da manhã, é uma forma eficaz para melhorar a insónia, o síndrome pré-menstrual ou a perturbação afetiva sazonal, podendo inclusivamente ser eficaz na depressão (não sazonal). 

Como sabemos, a organização da sociedade atual não é muito respeitadora dos nossos ritmos biológicos… O trabalho em espaços fechados ou o estar acordado até muito depois do sol se deitar, são disso exemplos. O nosso cérebro fica confundido, não produz a descarga intensa de melatonina noturna (criando problemas de sono, por exemplo). Ao invés, ao longo do dia, vai convertendo continuamente a serotonina em melatonina, reduzindo os níveis deste neurotransmissor (levando a menor energia, maior irritabilidade, menos concentração ou maior ansiedade).

É por esta razão, que é importante que as pessoas que trabalham em ambientes fechados venham ao exterior periodicamente. Um período diário de 10 a 15 minutos de exposição solar (sem óculos escuros) pode ser o suficiente para melhorar o humor, a energia e a qualidade do sono – o cérebro percebe que é dia, inibe a melatonina e produz serotonina. Da mesma forma, é também recomendado que se durma na escuridão total – o cérebro percebe que é noite e produz melatonina.

Em suma, toca a aproveitar este sol… mas nada de escaldões (que isso é a parte má), ok?

Um bom fim-de-semana!

DG 2014

Para saber mais recomendo este artigo: Benefits of Sunlight: A Bright Spot for Human Health.

E, como não podia deixar de ser, aqui fica a música que “roubei” para título deste post. Fica também o convite para conhecerem mais sobre os efeitos da música no cérebro neste link.

 

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Somatização: quando a nossa cabeça põe o corpo doente

SomatizaçãoTonturas persistentes, problemas de estômago ou intestinos, disfunção erétil e dores de cabeça podem ser sintoma de que algo não está bem. Mas não necessariamente com o seu corpo… Somatizar, ou seja, transportar o mal-estar emocional da sua mente para o seu corpo, não é assim tão fora do vulgar.

Se estamos nervosos, as pernas tremem; se estamos apaixonados sentimos borboletas no estômago; se apanhamos um susto, lá vêm aquele aperto no peito. São muitos os sintomas físicos que não controlamos provocados pelas nossas emoções.

(…)

Mas quando preocupamos, as coisas podem dar para o torto… A somatização define-se pela presença de sintomas físicos que não estão ligados a nenhuma doença física detetável. E, como nos explica o psiquiatra Diogo Guerreiro, apesar de serem muito comuns na população em geral, a sua causa é em larga medida desconhecida. De qualquer forma, de acordo com o psiquiatra, considera-se que a maioria dos casos, “surge a partir de uma interpretação exagerada de sensações corporais normais, que são vistas pela pessoa como sinais de doença. Esta preocupação leva a que a pessoa se foque ainda mais nestas sensações, levando a uma espiral de maior preocupação, ansiedade e exacerbação dos sintomas.”

(…)

Sintomas mais comuns de somatização

A lista de possíveis sintomas associados a um processo de somatização é quase tão vasta como a de sintomas físicos que é possível sentirmos, no entanto, há quatro grupos de queixas mais frequentes:

  • a dor (de cabeça, de barriga, muscular, …)
  • os sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos, intolerâncias alimentares, …)
  • os sintomas a nível da sexualidade (perda de libido, disfunção erétil, anorgasmia, …)
  • os sintomas pseudoneurológicos (tonturas, vertigens, perda de sensibilidade dos membros, dificuldades na deglutição, …)

Mais uma colaboração com o portal MSN Saúde.

O artigo completo pode ser visto neste link: saude.pt.msn.com/somatizacao-quando-a-nossa-cabeca-poe-o-corpo-doente

Um abraço a todos

DG 2014

 

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2014: Ano Europeu do Cérebro

O European Brain Council nomeou o ano 2014 como o Ano do Cérebro na Europa.

Esta iniciativa tem o apoio de mais de 200 organizações que representam doentes, comunidades científicas e profissionais de saúde, das várias disciplinas que se focam no estudo do cérebro. Para além de vários comissários europeus, o projeto também recebeu o apoio significativo e entusiasta por parte do Parlamento Europeu e dos Estados-membros da União Europeia.

Com o lançamento do ano do cérebro na Europa em 2014, pretende-se conseguir consciencializar e educar, alcançando um impacto significativo na modificação das percepções e redução dos estigmas.

O cérebro, porquê?

A estrutura mais complexa do universo encontra-se dentro de cada um de nós: o cérebro humano.

Com milhares de milhões de neurónios e uma quantidade incontável de redes de informação, apesar dos enormes progressos das neurociências nas últimas décadas, estamos longe de o compreender totalmente.

Além de fornecer a base de nossa personalidade, pensamentos, sentimentos e outras características humanas, o cérebro é também a origem de muitas doenças crónicas e incapacitantes, como é o caso das demências, com um enorme impacto na sociedade e que coloca uma crescente pressão sobre os sistemas de saúde, sobretudo à medida que as populações se tornam mais envelhecidas.

Aqui fica o link para a iniciativa: www.europeanbraincouncil.org

E um link para uma entrevista com o neurologista Alexandre Castro Caldas, a este propósito: RTP Play

E um documentário, da BBC, sobre a evolução do cérebro humano (em inglês, mas com legendas em português):

Um abraço a todos

Diogo Guerreiro

 

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